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A farmacêutica criou um programa para formar os analistas químicos que não consegue contratar. A indústria farmacêutica vive o seu momento mais dinâmico desde o pico da crise em matéria de contratações, apesar das restrições que se mantêm na aprovação de inovação. Mas o recrutamento no sector tem várias velocidades. E se nas áreas de acesso ao mercado encontrar profissionais não é um problema — retê-los, sim! —, nos departamentos de Investigação & Desenvolvimento (I&D) o cenário é outro. Depois uma longa batalha para conseguir recrutar no mercado nacional analistas químicos em número suficiente e com a formação técnica e a experiência necessárias à função, a farmacêutica Hovione decidiu formá-los. No ano passado criou o Programa 9ºW, em parceria com um consórcio de instituições de ensino liderado pelo Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL), e investirá nos próximos dois anos €5 milhões para formar todos os analistas químicos de que necessita. É difícil encontrar nas farmacêuticas com atividade em Portugal quem admita dificuldades de contratação. Contactadas pelo Expresso, Bayer, Novartis, Roche, Pfizer e Sanofi recusam problemas em atrair talento, embora algumas reconheçam que retê-lo já é um desafio. Mas Pedro Borges Caroço, diretor executivo da unidade de negócio de Saúde e Ciências da Vida da consultora de recrutamento Michael Page, diz que há dificuldades, não atingem é todas as empresas na mesma medida. A maior parte das farmacêuticas não possuem centros de I&D nem unidades de produção em Portugal. E é exatamente nesta área que residem os maiores problemas de contratação no sector, segundo o especialista. “Nas áreas de acesso ao mercado, de contacto da farmacêutica com os clientes, as dificuldades decorrem da elevada dinâmica da procura e da cada vez maior especialização dos perfis procurados”, explica (ver caixa). Ou seja, não há propriamente falta de profissionais qualificados, há é uma elevada taxa de rotação entre as empresas que coloca desafios no campo da retenção de talento. Já na I&D, há muitas vezes escassez de talento no mercado nacional. Empresas com centros de investigação e unidades de produção em Portugal têm de formar os seus próprios profissionais ou contratar fora. Pedro Borges Caroço dá o exemplo da Hovione e da Bial. O problema não é a falta de competências técnicas. É a dificuldade de encontrar perfis disponíveis que combinem a técnica com a experiência necessária à função. CONTRATAÇÕES DIFÍCEIS Foi este desafio que obrigou a Hovione a criar o Programa 9ºW e a financiar a construção no ISEL do PharmaLab, um laboratório de química analítica que permite formar os analistas químicos de que a empresa necessita. “Nos últimos anos percebemos que recrutar perfis nesta área é mais difícil do que noutras, e esta é uma área vital”, explica Sónia Amaral, responsável pela implementação do programa na Hovione. “Os analistas são profissionais com o 12º ano de escolaridade e formação em técnicas laboratoriais de química analítica que são responsáveis pela execução de trabalhos práticos em ambiente de desenvolvimento e controle de qualidade”, explica, reforçando que o seu papel em laboratório é vital. Na primeira edição, o 9ºW formou 12 analistas químicos. Estão previstas mais seis edições até 2020. O curso dura um semestre e cada formando recebe uma bolsa de €1000, atribuída pela empresa. “O objetivo é que estes integrem a empresa numa lógica de continuidade e crescimento na carreira de analista químico”, que tem, garante, elevada empregabilidade. A estratégia da Hovione de chamar a si a qualificação dos profissionais que lhe faltam é comum à Bial. José Carlos Ferreira, diretor do departamento de Recursos Humanos da empresa, confirma a necessidade da Bial em recrutar quadros altamente qualificados e especializados em áreas como a investigação química, farmacológica, clínica e farmacêutica e reconhece dificuldade em encontrá-los. “A oferta de investigadores nestas áreas em Portugal ainda é reduzida”, reconhece, acrescentando que “não há muitas empresas a fazer investigação farmacêutica inovadora em Portugal, e, nesse caso, é mais difícil atrair candidatos”. A empresa tem conseguido, mas nem sempre em Portugal. Leia o artigo no Expresso  

Artigo de Imprensa

Hovione investe €5 milhões no talento

Jun 09, 2018

Todos os dias de manhã oiço um maravilhoso “Bom dia! Tudo bem?” dito em português, pelo segurança de nacionalidade nepalesa que trabalha na receção da Hovione. Depois de responder em português e em cantonês, passo o cartão eletrónico e dirijo-me ao balneário feminino para me equipar com o fato- macaco, botas de biqueira de aço, capacete e óculos - o designado Equipamento de Proteção Individual – tal como manda a tradição de uma Engenheira Química num Departamento da Produção.   Às 8h05, na sala de controlo, há uma reunião de cinco a dez minutos com os operadores dos turnos, o anterior e o seguinte, onde o chefe de turno do primeiro apresenta o trabalho realizado nas diferentes linhas de produção, bem como eventuais problemas nos equipamentos dos colegas do próximo turno.   Às 8h15, no escritório da Produção, tenho outra reunião de dez a quinze minutos, onde todos os engenheiros químicos responsáveis pelas linhas de Produção e os supervisores tomam a palavra e referem os assuntos mais importantes do dia e da semana. Ambas as reuniões são em inglês.   Após as reuniões, sigo para a linha de produção que estou a acompanhar nessa semana. Lá, leio o procedimento da linha, pergunto ao operador algumas questões referentes ao processo e como ele executa os diferentes passos. As operações na produção podem ser muito variadas, desde o carregamento de matérias-primas ao reator, abrir e fechar válvulas, bombear líquidos, ao empacotar o produto final.   A imagem seguinte retrata o Equipamento de Proteção Individual (EPI) que um trabalhador deve usar aquando de operações que requerem cuidados especiais, tais como a recolha de amostras de matérias-primas sólidas, peneiração de produto final, empacotamento...   Figura 1 - Imagem ilustrativa do EPI usado numa amostragem de matérias-primas sólidas. É importante referir que o clima em Macau é extremamente húmido e quente, o que dificulta imenso o trabalho numa fábrica com os equipamentos a funcionarem a temperaturas altas ou este género de operações que requerem EPI extras.   Às 10h00, na cantina, servem o pequeno-almoço, que dura cerca de quinze minutos. A seguir, volto para a linha de produção onde estava anteriormente. Uma vez que os trabalhadores da Hovione são de diferentes nacionalidades (macaense, chinesa, portuguesa, nepalesa, indonésia, filipina, indiana, malaia) por vezes a comunicação e a interação são um desafio.   Aqui, é notável a mistura de culturas, as várias línguas faladas, os diferentes modos de pensar que se fazem sentir. Estas diferenças são notadas em vários aspetos - na maneira de trabalhar, na postura adotada, no relacionamento interpessoal, por fim, no ambiente da fábrica.   Alguns dos operadores das linhas de produção só falam mandarim ou macaense e, nesses casos, o que sobressai é a vontade, ou a sua ausência, do operador em querer explicar o processo, através de desenhos ou por gestos.   Entre as 12h30 e as 14h30, a Hovione disponibiliza o almoço, na cantina. Dentro deste intervalo, tenho 1 hora para fazer a refeição. Para o almoço é necessário trocar o EPI pela minha própria roupa. Muitas vezes, após o almoço, vou ao exterior tomar um café. Os portugueses são praticamente os únicos a ter este hábito.   Da parte da tarde, volto a seguir a linha de produção que estava a acompanhar de manhã. Às 15h05 realiza-se de novo a reunião de passagem de turno entre os operadores e às 15h15, a reunião com os engenheiros químicos e supervisores.   Ao longo do dia vou muitas vezes à sala de controlo para saber o que se passa na fábrica, bem como para utilizar o computador e esclarecer eventuais dúvidas que surjam acerca do processo que estou a seguir.   Uma vez por semana tenho uma reunião, que pode durar entre 30 a 60 minutos, com a minha mentora, Ex Inov de 2016, onde exponho o trabalho realizado e algumas dúvidas que tenha e, onde ela me dá indicações acerca do trabalho a realizar na semana seguinte.   Às 17h00, dirijo-me para o balneário para trocar pela última vez de roupa.   Por fim, quando saio da Hovione, o segurança nepalês despede-se com um sorriso na cara, dizendo “Até amanhã!”.   Ler notícia original 

Artigo de Imprensa

Quotidiano de uma Engenheira Química na Hovione

Fev 02, 2018

Despesas com investigação e desenvolvimento foram 1,27% do valor do PIB em 2016. Empresas valem quase metade do dinheiro investido no sector. Portugal investiu, no ano passado, 2348 milhões de euros em investigação e desenvolvimento (I&D), relevam os dados provisórios do Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional de 2016, que foram publicados, esta segunda-feira, pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC). Este valor representa 1,27% do produto interno bruto (PIB) de 2016 e significa que, pela primeira vez desde 2010, o país aumenta as despesas com o sector relativamente ao ano anterior. Os 1,27% do PIB investidos em I&D em 2016 significam um aumento ligeiro face ao valor verificado ano anterior (mais 0,03 pontos percentuais). Este crescimento é, ainda assim, suficiente para pôr um ponto final no ciclo de queda que se verificava desde 2010. "Conseguimos finalmente inverter a tendência de decréscimo da despesa pública e privada", valoriza ao PÚBLICO o ministro da Ciência, Manuel Heitor. Na lista dos principais investidores empresariais em I&D seguem-se a farmacêutica Hovione (cujo total de investimento não foi divulgado pela DGEEC, por falta de autorização da empresa), o grupo BCP (quase 32 milhões de euros) e a farmacêutica Bial, que apesar de ter diminuído o seu investimento gradualmente nos últimos seis anos, em 2016 gastou 29,4 milhões de euros em investigação. A Bial é também a empresa com o maior número de investigadores doutorados contratados, com 29. A fechar o “top 5” está a empresa tecnológica Coriant Portugal, que teve, no último ano, despesas de 20,34 milhões de euros com investigação.   Leia o artigo   PCTN16: Empresas com mais despesa em I&D

Artigo de Imprensa

Portugal volta a aumentar investimento em ciência depois de seis anos de quebra

Ago 21, 2017

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