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Article / Jun 09, 2026

Hovione: Crescer sem perder o foco nas pessoas

Human Resources Portugal, 9 junho 2026

Num momento de crescimento global, a Hovione quer afirmar de forma mais clara aquilo que a distingue enquanto empregadora.

À medida que a competição por talento se intensifica à escala global, as empresas são cada vez mais desafiadas a demonstrar, com autenticidade, aquilo que têm para oferecer enquanto empregadoras. Foi neste enquadramento que a Hovione decidiu apresentar externamente a sua proposta de valor ao colaborador, num momento marcado pelo crescimento internacional e pela necessidade de atrair perfis altamente especializados. Em entrevista à Human Resources, Ilda Ventura, senior vice-president Human Resources e membro da Comissão Executiva da Hovione, explica o racional desta estratégia e a forma como a cultura da empresa procura equilibrar exigência, propósito e foco nas pessoas.

O que torna este o momento certo para o lançamento externo da employee value proposition (EVP) da Hovione?

A Hovione vive uma fase de forte crescimento e consolidação da sua presença internacional, o que implica atrair talento em diferentes geografias e áreas de especialização. Hoje, somos uma organização global com mais de 2600 pessoas, presença em três continentes, cinco unidades de produção na Europa, Estados Unidos da América e Ásia, e centros de I&D em Lisboa e New Jersey. Tornou-se, por isso, essencial comunicar de forma clara quem somos enquanto empregador e aquilo que nos distingue no mercado de talento.

“Better Starts With”, a assinatura da nossa campanha, traduz essa essência e nasceu de um processo muito consistente de escuta e reflexão interna. Ao longo dos últimos anos, procurámos compreender melhor o que torna a experiência na Hovione diferente e o que leva tantas pessoas a crescer e a construir aqui o seu percurso. O resultado foi uma proposta autêntica, alinhada com a nossa cultura e com a forma como trabalhamos: fazer as coisas certas, da forma certa, e procurar melhorar todos os dias.

Como é que a “Better Starts With” se distingue de outras propostas de valor no mercado?

A “Better Starts With” assenta em autenticidade e coerência. Não é uma promessa aspiracional desconectada da realidade, mas sim a partir daquilo que as nossas pessoas reconhecem como sendo a experiência real de trabalhar na Hovione.

A campanha traduz uma cultura muito própria, construída ao longo de mais de 65 anos de história, assente num forte sentido de responsabilidade, rigor e colaboração. Acreditamos em fazer as coisas certas, da forma certa, porque o impacto do nosso trabalho vai muito além da organização. Contribuímos directamente para o desenvolvimento e fabrico de medicamentos que chegam a mais de 80 milhões de pacientes em todo o mundo e participamos, todos os anos, em até 10% dos novos medicamentos aprovados pela FDA nos Estados Unidos da América. Esse sentido de propósito é vivido de forma muito concreta pelas nossas equipas.

Ao mesmo tempo, “Better Starts With” reconhece que a excelência só é possível quando existe um ambiente que promove o crescimento, a aprendizagem contínua, a inclusão e a colaboração entre pessoas de diferentes gerações, nacionalidades e áreas de especialização. Trabalhamos com algumas das empresas farmacêuticas mais inovadoras do mundo, contamos com mais de 300 cientistas e somos a empresa privada com mais doutorados em Portugal. Esse ambiente altamente especializado cria uma experiência muito diferenciadora para quem procura aprender e crescer.

O que é que “People First” significa numa empresa com a exigência operacional e científica da Hovione?

“People First” significa reconhecer que são as pessoas que tornam possível a excelência que exigimos e entregamos e, portanto, são uma prioridade estratégica para continuarmos a ser um parceiro diferenciador na indústria farmacêutica – trabalhamos com 19 das 20 maiores empresas farmacêuticas do mundo. Num contexto altamente técnico e exigente, isso traduz-se em criar as condições certas para que todos possam ter sucesso. Sabemos que só conseguimos inovar, crescer e responder aos desafios complexos dos nossos clientes quando temos equipas motivadas, capacitadas e alinhadas com a nossa cultura e valores. Não se trata de escolher entre pessoas e resultados, mas de entender que um não existe sem o outro.

Quando há tensão entre prioridades de negócio e foco nas pessoas, que decisões acabam por prevalecer?

Como referi, na Hovione não vemos as pessoas e os resultados como prioridades opostas. Acreditamos genuinamente que não é possível alcançar de forma consistente as prioridades de negócio sem equipas motivadas, capacitadas e comprometidas. Por isso, quando surgem momentos de maior pressão ou tensão, procuramos tomar decisões equilibradas e sustentáveis, que protejam simultaneamente o desempenho do negócio e a experiência das nossas pessoas. A nossa experiência mostra-nos que investir nas pessoas conduz a melhores resultados no médio e longo prazo. Isso não significa reduzir a exigência. Somos uma empresa com elevados padrões científicos e operacionais. Significa reconhecer que a forma como alcançamos os resultados é tão importante como os próprios resultados.

Que exemplos do dia-a-dia melhor traduzem esta EVP? O que mudou em termos de envolvimento das pessoas, retenção ou inovação?

A EVP ganha vida através de práticas muito concretas e da experiência diária das nossas pessoas. Investimos continuamente no desenvolvimento e crescimento interno: por exemplo, só no último ano, mais de 200 colaboradores foram promovidos globalmente, num modelo assente em meritocracia e transparência. Também reforçámos uma cultura de proximidade, reconhecimento e bem-estar, com benefícios abrangentes e um modelo de recompensa alinhado com o desempenho individual e colectivo, onde todos são elegíveis. Em 2025, distribuímos cerca de 20 milhões de euros em bónus a nível global.

Os resultados reflectem-se no envolvimento e retenção das nossas equipas. Fomos reconhecidos pelo Top Employers Institute em todas as localizações pelo quarto ano consecutivo e atingimos uma taxa de turnover voluntário historicamente baixa, de 5%, uma das mais reduzidas da indústria. Mais do que números, isto mostra que estamos a criar um ambiente onde as pessoas se sentem valorizadas, desafiadas e motivadas para inovar e crescer connosco. A EVP vem também clarificar esta proposta de valor de uma forma unificada internamente.

Existiram iniciativas que nasceram numa geografia e se espalharam depois pela organização? O que tornou isso possível?

Sim, isso acontece com bastante frequência e é, na verdade, um reflexo da nossa cultura colaborativa e global. Temos inclusive um programa interno que reconhece e premeia as melhores ideias dos nossos colaboradores a cada trimestre. Outro exemplo mais simbólico é o “Bring Your Child to Work Day”. A iniciativa nasceu na nossa unidade de New Jersey, nos Estados Unidos da América, com o objectivo de aproximar as famílias daquilo que fazemos através de experiências educativas e interactivas para os filhos dos colaboradores. A receptividade foi tão positiva que acabou por ser adaptada e replicada noutras geografias. O mais importante é precisamente essa abertura para aprender uns com os outros. As boas ideias não ficam “presas” a uma localização, quando fazem sentido e geram impacto positivo na experiência das pessoas procuramos escalá-las e adaptá-las à realidade das diferentes equipas.

Quando a Hovione entra num novo mercado, como garante que a mensagem chega a pessoas que nunca ouviram falar da empresa?

Começamos por procurar compreender muito bem o contexto local, o talento disponível, as expectativas das pessoas, o ambiente académico e industrial e a dinâmica competitiva. Apostamos bastante na proximidade, através de parcerias com universidades, participação em eventos, redes locais de talento e uma presença mais activa junto das comunidades onde operamos. Ao mesmo tempo, é muito importante manter uma mensagem global clara e consistente sobre quem somos enquanto empresa e empregador. A EVP ajuda-nos precisamente nisso, porque traduz de forma simples e autêntica aquilo que define a experiência na Hovione.

Embora a notoriedade da marca possa variar entre geografias, aquilo que oferecemos é muito diferenciador: a possibilidade de trabalhar numa empresa global, altamente inovadora, envolvida no desenvolvimento e fabrico de medicamentos que chegam a milhões de pacientes, que trabalha com as maiores empresas farmacêuticas do mundo. Para muitas pessoas, essa combinação entre impacto, ciência e oportunidade de crescimento acaba por ser muito relevante.

Que adaptações locais foram necessárias e o que é que nunca muda, independentemente da geografia?

Adaptamos sobretudo a forma como implementamos as nossas práticas e iniciativas, tendo em conta a cultura, o contexto local, a legislação e até as diferentes dinâmicas do mercado de talento em cada geografia. É importante garantir que a experiência é relevante e próxima da realidade de cada equipa. Mas há princípios que nunca mudam. O foco nas pessoas, a integridade, a qualidade, a colaboração e o sentido de responsabilidade fazem parte da identidade da Hovione em qualquer parte do mundo. E existe também algo que une verdadeiramente as nossas equipas globalmente: a consciência de que o nosso trabalho tem um impacto real na vida de milhões de pessoas. Isso transcende geografias e culturas.

Tendo a seu cargo a área global de RH, considera que a sua actuação na Comissão Executiva fortalece o conceito “People First”?

Sem dúvida. Ter a função de Recursos Humanos representada na Comissão Executiva assegura que a perspectiva das pessoas está presente desde o início em todas as decisões estratégicas. Permite alinhar crescimento, cultura e sustentabilidade de forma mais equilibrada. É uma garantia de que as pessoas são um activo muito importante e têm um papel central na estratégia do negócio.

Existem casos concretos em que a perspectiva de colaboradores foi determinante numa decisão estratégica?

Sim, cada vez mais. Acreditamos que as melhores decisões acontecem quando ouvimos quem está mais próximo da realidade do dia-a-dia e, numa indústria científica e produtiva tão exigente como a nossa, esse contributo é particularmente importante. Temos várias iniciativas internas que incentivam e reconhecem a participação activa das nossas pessoas na evolução da organização. Um exemplo são os Global Innovation Awards, que distinguem ideias e inovações propostas pelos colaboradores em áreas tão diversas como ciência, produção, sustentabilidade, digitalização ou melhoria de processos.

Algumas das iniciativas que implementámos na área da sustentabilidade, por exemplo, nasceram precisamente de sugestões das nossas equipas e acabaram por gerar um impacto muito relevante para a organização. Isso reforça a importância de construirmos uma cultura onde as pessoas se sintam verdadeiramente ouvidas, valorizadas e encorajadas a contribuir.

Em áreas técnicas e científicas, a diversidade de perfis ainda tende a ser algo limitada. Como é que abordam este tema e como se reflecte isso na EVP?

Abordamos este tema de forma muito intencional porque acreditamos que equipas mais diversas geram melhores ideias, maior inovação e decisões mais fortes, algo essencial numa empresa científica e tecnológica como a Hovione. Trabalhamos este tema desde o recrutamento até ao desenvolvimento e progressão das nossas pessoas, promovendo processos transparentes e uma cultura inclusiva, onde diferentes experiências e perspectivas são valorizadas. Hoje, contamos com mais de 60 nacionalidades e cinco gerações a trabalhar em conjunto, além de uma forte representação feminina em posições de liderança e um gender pay gap praticamente inexistente. A nossa EVP reflecte precisamente esse compromisso.

Com o crescimento acelerado da Hovione, como é que garantem que a cultura se mantém coesa?

Manter uma cultura forte e coesa é uma prioridade estratégica. Sabemos que isso não acontece de forma automática, exige intencionalidade, consistência e liderança alinhada. Por isso, investimos muito no desenvolvimento das nossas lideranças, na comunicação interna e em mecanismos que reforçam o alinhamento global entre as equipas e as funções. A EVP tem aqui um papel muito importante, porque funciona como uma referência comum sobre a forma como trabalhamos, colaboramos e tomamos decisões enquanto organização. Ao mesmo tempo, procuramos garantir que a cultura é vivida de forma concreta no dia-a- -dia, desde a forma como recrutamos e integramos novas pessoas até às oportunidades de desenvolvimento, reconhecimento e crescimento que oferecemos às nossas equipas globalmente.

 

Leia o artigo completo em HRPortugal.pt

 

 

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O podcast "A Próxima Descoberta" é uma série de seis episódios numa parceria entre o Observador Lab e a Hovione. Como é que uma pequena empresa numa cave em Lisboa se tornou um dos maiores empregadores de doutorados em Portugal e parceira de 19 das 20 maiores farmacêuticas do mundo? Ouça aqui o primeiro episódio do podcast, com Diane Villax, cofundadora da Hovione. [Transcrição] E se algumas das descobertas científicas que podem melhorar a vida de milhões de pessoas estivessem a acontecer neste momento em Portugal? "A próxima descoberta". Seja bem-vindo a "A Próxima Descoberta". É uma série de conversas numa parceria entre o Observador Lab e a Hovione uma multinacional farmacêutica de origem portuguesa, e onde vamos abrir as portas do seu mundo para nos contar histórias reais de ciência, inovação e impacto global. Ao longo de seis episódios, vamos conhecer as pessoas por trás de tecnologias que ajudam a desenvolver e a produzir medicamentos inovadores para as maiores farmacêuticas mundiais e que chegam todos os anos a mais de 80 milhões de doentes. Eu sou o Nelson Ferreira e neste primeiro episódio vamos perceber como é que uma história improvável, que começou numa cave em Lisboa, se transformou numa liderança global. E para falar sobre esse legado, tenho a honra de receber Diane Villax. É cofundadora e administradora não-executiva da Hovione, que aos 91 anos continua a ser uma testemunha viva desta viagem. Nelson Ferreira (NF): Muito bem-vinda, D. Diane Villax. Vamos começar a nossa conversa em 1959. A Hovione nasce de forma improvável numa cave em Lisboa, fundada pelo seu marido, Ivan Villax, pela Diane e mais dois sócios. Como é que se geriu uma vida familiar e ao mesmo tempo o nascimento de uma empresa farmacêutica, tudo no mesmo espaço? Imagino que tenha causado aqui alguns desafios logísticos interessantes. Diane Villax (DV): Desde o início, decidimos que iríamos fabricar matéria-prima para a indústria farmacêutica, isto é, os ingredientes ativos dos medicamentos. Não tínhamos dinheiro, portanto, teria que ser a partir da nossa casa, que era um bairro residencial de Lisboa. Desde logo, dividimos as tarefas. O meu marido, brilhante engenheiro químico húngaro, ficaria o inventor, o produtor, o vendedor, e eu ficava com toda a parte administrativa: importações, exportações, contabilidade, bancos. Tarefas essas que mantive durante pelo menos 30 anos. Simultaneamente, também pensámos nos valores que iriam nos dirigir durante este longo período: transparência, inovação, procura de excelência e grande consideração para quem viesse trabalhar conosco através dos anos. NF: Logo no início, o seu marido definiu bem que a Hovione não ia competir pelo preço baixo, mas sim pela qualidade e por resolver problemas complexos. Como é que foi aplicar este princípio de rigor quando os recursos ainda eram escassos? Até porque desde o primeiro dia, o vosso objetivo sempre me pareceu que era global. O mundo seria o vosso mercado. DV: Desde o início achámos que Portugal, uma população de 10 milhões de habitantes, não seria um mercado muito significativo e que o mundo seria o nosso. Talvez um pouco naïves, porque iríamos entrar num mercado global já bastante sofisticado. Mas a decisão foi tomada e andámos para a frente. Andámos para a frente e tivemos a sorte que rapidamente o Japão nos descobriu. Veio bater à nossa porta, porque obviamente nós não tínhamos meios para ir bater à porta deles, mas eles naquela altura não fabricavam, só formulavam, portanto, precisavam de comprar matérias-primas. O meu marido tinha patentes de invenção de processos independentes e houve grandes conversas. Eles acharam que a nossa tecnologia era boa, o nosso IP era muito robusto e a nossa qualidade excelente. Iniciou-se uma cooperação que durou 10, 15 anos, muito lucrativa para ambas as partes, bem me parece. NF: Nos anos 80 e 90, a Hovine dá uma espécie de salto mais importante. Quais é que foram as decisões, as apostas tecnológicas ou até os momentos de maior coragem que permitiram transformar esta pequena empresa portuguesa numa multinacional de referência? DV: Em 1982, após uma inspeção satisfatória da parte da FDA, entidade reguladora dos Estados Unidos da América, entrámos no mercado americano com o nosso antibiótico doxiciclina genérico. A patente do inventor já tinha caducado e nós tínhamos um processo independente de fabrico. Um mercado enorme, exigente, competitivo, mas que respeita o bom serviço e a qualidade. E foi de facto um grande salto, pois é um mercado tão grande que nós não tínhamos a noção do que iria ser, e a procura foi bem maior do que nós conseguíamos produzir. Lembro-me, deve ter sido o verão de 83, deve ter havido muita gente que teve que guardar as suas férias para o outono ou para o inverno, porque falhar com os prazos de entrega não era opção. Posteriormente, nos anos 90, lançámo-nos num novo setor de negócios, que são os serviços. Descobrimos que as grandes farmacêuticas americanas, bem como as pequenas biotechs, estavam cada vez mais inclinadas a outsource o trabalho de desenvolvimento das novas moléculas, pois é um período muito comprido, que pode durar de quatro a seis, 10 anos O processo de desenvolvimento das novas moléculas antes de chegarem a serem reguladas pelas entidades e a ficar um produto comercial. E então começamos a oferecer esse serviço de desenvolvimento, que correu muito bem. Daí desenvolvemos novas tecnologias, o chamado spray drying, para moléculas que fossem pouco solúveis, porque assim aumentaria muito a bioequivalência dos mesmos. E hoje em dia é o nosso maior setor, é esse setor dos serviços. NF: A Hovione trabalha hoje com 19 das 20 maiores farmacêuticas do mundo. Como é que se mantém um espírito ágil, um espírito pioneiro que nasceu nessa cave, mas hoje é uma estrutura com 2600 colaboradores, mais de 300 cientistas, tornou-se até o maior empregador privado de doutorados em Portugal. DV: Pois, a agilidade tem que se manter. Por exemplo, agora quando foi da pandemia, de repente nós recebemos encomendas grandes, não esperadas, para fabricar um componente do Remdesivir, que foi o produto que foi autorizado para ajudar os doentes de Covid. Portanto, a agilidade tem que se manter e mantemos sempre a nossa qualidade e hoje em dia, com 60 e tal anos de história, os clientes vêm ter conosco, pois sabem que podem contar com a nossa qualidade e a nossa responsabilidade de produzir e entregar a tempo e horas o que eles encomendam. NF: Há aqui um outro número impressionante. Os vossos produtos chegam a 80 milhões de pessoas por ano e a Hovione participa em até 10% dos novos medicamentos que são aprovados anualmente pela FDA nos Estados Unidos. Quando olha para este impacto, sente que esse sonho de 1959 foi totalmente cumprido? DV: Eu acho que foi ultrapassado e muito, porque nós quando formamos a Hovione, o meu marido, que era um cientista, queria era ter o seu próprio laboratório, mas nunca imaginou que desenvolveríamos de tal maneira como hoje em dia somos procurados pelas grandes farmacêuticas internacionais e que vêm ter conosco frequentemente. NF: Esta é uma série sobre ciência, mas também é sobre pessoas. E o rigor, a ética e a visão de longo prazo que a Diane sempre imprimiu na gestão continuam lá na Hovione. Que mensagem é que deixa aos cientistas que hoje entram na Hovione com a missão de encontrar a próxima descoberta? Pelo que percebi, a Diane faz questão de os receber sempre que eles entram na empresa. DV: Sim, quatro vezes por ano, duas vezes em inglês, duas vezes em português, eu falo aos recém-chegados à Hovione, contando muito resumidamente qual foi o nosso percurso, quais são os nossos valores, os nossos objetivos, os sonhos, quais foram os desafios que encontrámos, como ultrapassámos para chegar aos dias de hoje. E eu recomendo sempre que quem entra nesta casa tem que trabalhar com paixão. Tem que trabalhar com paixão e lembrar sempre que o nosso trabalho é produzir medicamentos para quem deles precisa. Temos o privilégio de servir os pacientes. Somos uma empresa que trabalha para a sociedade. Eu acho que o "In it for life", que é o nosso lema, tem muito a ver connosco, porque estamos cá há 67 anos como uma empresa familiar e assim pensamos continuar por muitos e bons. Sobretudo no setor da saúde, há muita vantagem, porque podemos olhar a longo prazo, não temos que pensar nas ações da bolsa a cada trimestre, como têm que as empresas públicas. E, por outro lado, estamos cá justamente para dar vida a quem dela precisa. "In it for life". NF: Aos 91 anos, como é que a própria Diane também mantém essa paixão e faz planos a longo prazo? DV: Porque eu fui fundadora desta empresa, vejo-a progredir e a desenvolver com sucesso, portanto, é uma alegria para mim e tenho uma família grande que vem atrás de mim. Tenho seis netos e sete bisnetos e eu espero deixar a empresa para eles continuarem como eu a geri. NF: Isso é muito inspirador. D. Diane Vilax, muito obrigado por nos trazer as memórias e a inspiração deste legado que continua bem vivo. Foi um privilégio. Este foi o primeiro capítulo de "A Próxima Descoberta". Nas próximas semanas, vamos continuar a abrir as portas da Hovione para descobrir como é que o talento português lidera o mundo da química complexa à engenharia de partículas, das terapias respiratórias aos medicamentos biológicos de nova geração. Podem ouvir os próximos episódios em observador.pt e na sua plataforma habitual de podcasts. Até à próxima descoberta.   Ouça este episódio em Observador.pt    

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Podcast “A Próxima Descoberta” (EP1) - Da cave em Lisboa ao impacto global

Jun 18, 2026

Todos os anos, a Caixa Geral de Depósitos, considerado o maior banco português, reconhece alguns dos jovens talentos mais promissores de Portugal através dos Prémios Caixa +Mundo, atribuindo cerca de 800 mil euros em bolsas de estudo a estudantes que ingressam no ensino superior. Na edição deste ano, a Caixa decidiu associar o nome de Diane Villax ao prémio destinado a estudantes da área das ciências. Esta prestigiada distinção coloca Diane Villax entre um grupo distinto de personalidades de relevo que, ao longo dos últimos 50 anos, contribuíram de forma marcante para o desenvolvimento socioeconómico, cultural, político e científico de Portugal, como António Ramalho Eanes, Mário Soares, José Saramago, Sophia de Mello Breyner, Leonor Beleza, Elvira Fortunato, Rui Nabeiro, Américo Amorim e José Manuel de Mello. Diane Villax confirmou que terá todo o gosto em reunir-se pessoalmente com os sete estudantes distinguidos nesta área e acompanhar o seu percurso enquanto próxima geração de inovadores e líderes. Mas esta distinção representa muito mais do que uma pessoa. É o reconhecimento de toda uma organização e das pessoas que a constroem todos os dias. Ao longo de 67 anos, sucessivas gerações de equipas trabalharam em conjunto, com paixão, propósito e excelência, para produzir medicamentos que salvam vidas e promover uma ciência com impacto real nas pessoas. Este reconhecimento é de todos nós. Bem hajam.      

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Diane Villax dá nome aos prestigiados prémios Caixa +Mundo

Maio 14, 2026

A gestão de talento foi o tema central no painel “Talento” do The Branding & Business Summit, num debate sobre os desafios das organizações na atração, desenvolvimento e retenção de pessoas num mercado de trabalho em profunda transformação. O painel contou com Carla Marques, CEO da Intelcia, Chitra Stern, Founder & CEO do Martinhal Family Hotels & Resorts, e Ilda Ventura, Senior Vice President da Hovione, e foi moderado por Maria José Martins, diretora criativa de conteúdos do Brands Channel, que enquadrou a discussão na necessidade de alinhar propósito, cultura e competitividade. (...) Talento global e propósito como âncora organizacional Já Ilda Ventura destacou a dimensão global da gestão de talento e os desafios associados à retenção de competências altamente especializadas. A responsável da Hovione referiu que a empresa, com presença internacional e várias décadas de atividade, tem desenvolvido esforços consistentes para atrair e fixar talento em Portugal. “Temos feito um grande esforço para que o talento fique em Portugal”, afirmou, acrescentando que a organização tem implementado programas específicos de atração e desenvolvimento. Ilda Ventura sublinhou ainda o papel da cultura organizacional como elemento de coesão, destacando o lema da empresa — “In it for Life” — como expressão do seu propósito. Esse princípio, explicou, ajuda cada colaborador a compreender o impacto do seu trabalho na melhoria da saúde global. (...) Créditos da imagem: Imagens de marca   Leia o artigo completo em ImagensdeMarca.pt Saiba mais sobre as Carreiras na Hovione  

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Empresas em mudança: Atração e retenção de talento foi tema no The Branding & Business Summit

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