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Artigo de Imprensa / Mar 26, 2020

Hovione vai produzir 40 toneladas de gel desinfetante por semana para entrega gratuita

TSF, 26 março 2020

A farmacêutica anunciou uma linha de produção na fábrica de Loures com material a ser doado a entidades públicas nacionais e, desde então, já recebeu pedidos de apoio por parte de mais de 100 entidades.

Desde que a farmacêutica portuguesa Hovione anunciou, na semana passada, a decisão de usar parte da sua capacidade em Loures para produzir gel desinfetante a serem doado a várias instituições, já conseguiu fazer cerca de 30 toneladas de produto.

Guy Villax, diretor-geral da empresa, explica que o objetivo é produzir e entregar 40 toneladas de gel desinfetante por semana.

"Quarenta toneladas dá para lavar as mãos de 400 mil pessoas durante uma semana. A regra que nós temos é que cada pessoa não irá precisar de mais de 100 mililitros por semana", detalha.

O produto está a ser disponibilizado gratuitamente com prioridade para as instituições que mais precisam, como os hospitais, as câmaras municipais e a Proteção Civil.

Em declarações à TSF, Guy Villax refere que a empresa acrescentou à lista das prioridades outros profissionais como camionistas e funcionários de supermercado.

"Aumentamos de prioridade os supermercados e os camionistas, as empresas de transporte. As pessoas que estão nos caixas dos supermercados e que voltam a preencher as prateleiras, têm uma grande prioridade."

O responsável da empresa explica que não tem sido fácil manter a produção porque a fábrica de Loures conta com apenas 500 das 850 trabalhadores.

Outro desafio tem sido o transporte de matéria prima mas Guy Villax espera que seja ultrapassado em breve, sobretudo depois da Comissão Europeia ter emitido uma recomendação de gestão de fronteiras chamada 'Green Lanes'.

"É o nosso via verde para garantir que nenhum camião fique mais de 15 minutos na fronteira e isso é extremamente importante", explica.

A Hovione já recebeu contactos de mais de 100 entidades com pedidos de acesso ao gel desinfetante que a empresa está a produzir e entregar gratuitamente.

Lei artigo no website da TSF

 

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Numa época em que as mulheres não trabalhavam, aos 19 anos Diane Villax era ”correspondente em línguas estrangeiras” numa empresa de representações. Aí aprendeu as bases para ajudar a desenvolver a Hovione, que criou com o marido há 66 anos. Hoje a empresa emprega mais de 2500 colaboradores e é fornecedor de preferência de algumas das maiores farmacêuticas do mundo. Quando entramos na sala da unidade fabril da Hovione em Sete Casas, Loures, Diane Villax espera-nos sentada, tranquila, pronta para quase uma hora de conversa e fotografias. Afável e bem-disposta, e com um rigor que se nota nas respostas, revela um enorme orgulho pela empresa que criou, em 1959  com o marido e dois compatriotas  húngaros. Ivan Villax era engenheiro químico com várias patentes de processo e a Hovione nasceu para fabricar antibióticos. Desde o primeiro dia os seus olhos estavam postos no mercado mundial  e foi a partir de casa, na Travessa do Ferreiro, que durante 10 anos produziu para o seu primeiro cliente importante, o mercado japonês, conhecido pelo elevado grau de exigência. Em 1969 foi construída a primeira fábrica em Loures, e, em 1986, iniciada a produção na segunda unidade fabril em Macau. A estas juntaram-se, já nos anos 2000, New Jersey, nos Estados Unidos e Cork, na Irlanda. Hoje, a Hovione emprega mais de 2500 colaboradores, dos quais mais de 300 são cientistas — é a empresa privada que mais doutorados emprega em Portugal – e orgulha-se de ser fornecedor de preferência de várias das maiores farmacêuticas do mundo. O casal Villax tinha tarefas distintas na empresa. Ivan era o inventor e Diane tratava da parte administrativa, a partir de casa. Não teve formação para empresária, apenas um curso de estenografia e datilografia e, antes de casar, um emprego numa empresa de importação, que em três anos lhe deu as bases necessárias para ajudar a desenvolver a Hovione. O seu método e rigor ajudaram-na a lidar com os bancos no início da empresa, porque os seus conhecimentos sobre negócios eram escassos. Ivan Villax faleceu em 2003, deixando uma descendência de quatro filhos e 16 netos, que têm a missão de continuar a desenvolver a empresa. Aos 91 anos, Diane Villax já não está no dia-a-dia da Hovione, mas lê as inúmeras noticias que recebe diariamente sobre a evolução do setor farmacêutico,  bem como toda a informação sobre a empresa. Gosta de estar atualizada para acrescentar valor às reuniões do Conselho de Administração. “Se eu não estou a par, os meus filhos reformam-me”, ironiza. Depois de conhecer Diane Villax na sua primeira unidade fabril, a 14 de janeiro, não estranhamos quando nos despedimos e a vemos com as chaves do seu carro na mão, pronta para conduzir para as Amoreiras para assistir a La Traviata. “Gosto muito de La Traviata!”, diz com o mesmo sorriso afável com que nos recebeu uma hora antes. Quais foram os marcos principais desta história que já conta 66 anos? O primeiro marco foi o que nos lançou e o que nos permitiu desenvolvermo-nos. No fim dos anos 1960 e durante todos os anos 1970, o Japão foi o nosso mercado principal. Durante 10 anos fornecemos a indústria japonesa a partir de nossa casa, numa cave da Travessa do Ferreiro. O meu marido era muito inovador. Tinha patentes de processo e em todo o mundo não anglo-saxónico não havia patentes de produtos farmacêuticos. Quando casámos já ele tinha patentes de invenção sobre toda a gama dos corticosteroides. No Japão, naquela altura, não fabricavam a matéria-prima, só formulavam o produto final, necessitando, portanto, de comprar o ingrediente ativo. Os eventuais clientes descobriram que em Portugal um certo Ivan Villax tinha patentes sobre essa gama de produtos na qual eles tinham interesse e vieram bater à nossa porta. Acharam que o nosso IP era robusto, a tecnologia era ótima e a qualidade do produto era excelente. A qualidade para o Japão é um “sine qua non”. Iniciámos uma colaboração que durou mais de 10 anos e nos permitiu construir a nossa primeira fábrica, em Sete Casas (Loures), que iniciou a produção em 1971. O segundo momento importante foi o lançamento no mercado dos Estados Unidos, em 1982. É um mercado gigantesco, competitivo, exigente, mas que reconhece serviço e qualidade. O meu marido tinha a patente de processo para o fabrico de um antibiótico de largo espetro, a doxiciclina, cuja patente do inovador caducou precisamente no verão de 1982. Tinha-se feito algum estudo de mercado certamente, mas não pensávamos que a procura seria tão grande. Até hoje já fornecemos centenas de toneladas de doxiciclina ao mercado norte-americano a partir da nossa fábrica de Macau. “Desde o primeiro dia, o mundo é o nosso mercado. E sempre quisemos ser uma boutique, criar um nicho no mercado. Somos mestres no que oferecemos.”     Leia o artigo completo em Executiva.pt  

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