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Artigo de Imprensa / Abr 23, 2020

Ao longo dos anos temos falado com o Governo, mas sem grande sucesso

Ponto Final, 23 abril 2020

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A ivermectina, produzida em Macau pela Hovione, tem estado em destaque devido à possibilidade de ser utilizada no tratamento da Covid-19. Eddy Leong, director-geral das operações da Hovione em Macau, assume que a empresa portuguesa está a avaliar os possíveis efeitos de uma maior procura da ivermectina, o que poderá até fazer com que a produção deste princípio activo passe a ser feita noutro local. Em entrevista ao PONTO FINAL, Eddy Leong refere que, para suportar a procura, a Hovione tem de se expandir, mas o diálogo com o Governo tem sido infrutífero.







Uma investigação do Biomedicine Discovery Institute, da Universidade de Monash, na Austrália, apontou a ivermectina, um fármaco habitualmente usado como desparasitante, como uma das possíveis soluções no tratamento da Covid-19. Segundo as conclusões das investigações laboratoriais preliminares, uma dose de ivermectina pode travar o crescimento do novo coronavírus num prazo de 48 horas. O princípio activo deste fármaco é produzido, para todo o mundo, em Macau, pela Hovione. Em entrevista ao PONTO FINAL, Eddy Leong, director-geral da empresa, diz-se “cauteloso” quanto à eficácia do fármaco, mas assume que a Hovione já está a pensar em planos para a eventualidade de a procura pela ivermectina aumentar em grande escala. “Depois dos testes, o próximo desafio será: como é que a vamos produzir para todas as pessoas do mundo?”. Caso se confirme a eficácia do produto, a Hovione terá de procurar outros locais para produzir a ivermectina, assumiu Eddy Leong. O director geral diz que a empresa precisa de mais espaço em Macau para a produção e que até tem pedido ao Governo mais terrenos. Porém, a resposta é sempre a mesma: Não há espaço. “Tenho a certeza de que nos arranjariam espaço se quisessem desenvolver a indústria”, afirma, acrescentando que a indústria farmacêutica poderia ser benéfica para diversificar a economia da região.



 



Tem-se falado na possibilidade de a ivermectina poder ser benéfica no tratamento da infecção pelo Covid-19. Quais são as evidências científicas, para já?



A atenção da comunicação social e do público deve-se a um estudo feito por cientistas australianos. Durante a Covid-19, acho que muitas pessoas e entidades tentaram encontrar e avaliar produtos que já estavam disponíveis no mercado, para verem se podia haver a possibilidade de eles curarem a Covid-19. Esta equipa estudou fármacos, como a ivermectina, e descobriu, durante a investigação laboratorial, num estudo ‘in vitro’, que a ivermectina é eficaz no combate ao vírus. O que faz é inibir a reprodução e a replicação deste vírus. ‘In vitro’ significa que o estão a fazer num laboratório, usando células orgânicas. Ainda não houve nenhum teste clínico em humanos. Essa será a próxima fase. Eles têm de fazer isso antes de poderem confirmar que é adequado e viável para humanos. Nesta fase, o estudo mostra apenas que é visível, mas apenas em laboratório e usando células orgânicas.



Quando é que vão começar os testes em humanos?



Ainda é difícil dizer, porque acho que eles precisam de planear os próximos passos nos testes clínicos. Isso também depende dos fundos disponíveis, que acho que é algo que é falado nas notícias. Como nós não fazemos parte deste estudo, nós vamos lendo as notícias. 



A equipa australiana não contactou a Hovione, uma vez que é uma das maiores produtoras de ivermectina no mundo?



Não. Eles publicaram o estudo numa revista científica e identificaram a ivermectina. Como se sabe, a ivermectina é produzida em Macau. Não há muitos fabricantes de ivermectina para humanos e nós somos um deles. Por isso, acho que as pessoas associaram o estudo à produção de ivermectina.



O que é que este estudo mostrou, até agora? Na prática, o que é que pode fazer ao vírus?



Inibe a replicação do vírus. Não estou envolvido neste estudo, mas posso dizer que, quando se diz que um fármaco pode curar uma doença, o que significa é que inibe a replicação do vírus, para que o sistema imunitário possa curar por si. Se o vírus se continuar a replicar, o volume da concentração do vírus é tanto que o sistema imunitário não consegue reagir ou curar, então vai-se ficando cada vez mais doente e desenvolve-se sintomas cada vez mais fortes e, eventualmente, pode-se morrer devido a uma falha dos órgãos. Este fármaco mostrou eficácia na supressão da replicação, para que o corpo possa ganhar a guerra ao vírus.



Está optimista em relação a estes testes? O que é que espera?



Eu estou cauteloso, não relativamente à capacidade de cura, mas em relação à dosagem. Há mais fármacos que mostraram alguns efeitos, mas, no fundo, a questão fundamental é: quando usado em humanos, qual será a dosagem certa para matar a Covid-19? Se a dosagem for pequena, como a que é usada para desparasitar – que é o que a ivermectina faz, é um desparasitante -, é seguro para humanos. Porque a dose não pode ser demasiada. Mas se, durante os testes, descobrirem que a dosagem para matar a Covid-19 for 100 vezes maior, talvez isso seja demasiado para humanos. Há uma dosagem certa para cada fármaco. Eu espero que funcione, mas sou cauteloso relativamente a qual será a dosagem de segurança para humanos.



E qual é a dosagem de segurança da ivermectina para humanos?



Não tenho a certeza, porque há diferentes formulações. Pode haver medicamentos com 10 miligramas ou centenas de miligramas.



A Hovione produz o princípio activo e depois exporta o produto, correcto?



O que fazemos é produzir o ingrediente activo, o principal componente do medicamento. Nós sintetizamos quimicamente o produto, ficando em forma de pó, depois é colocado em grandes pacotes e enviado para os nossos clientes. Os nossos clientes, as empresas farmacêuticas, fazem as suas próprias formulações, em forma de barra, cápsulas, algumas fazem gel ou loções. Independentemente da sua aplicação, o principal ingrediente é feito pela Hovione. Por isso é que não se vê a marca Hovione nas farmácias, mas a parte activa é feita pela Hovione.



Qual é a quantidade de ivermectina produzida anualmente pela Hovione?



Algumas toneladas. 



Quantas?



Não posso dizer.



Duas, três?



Mais do que isso.



Dez?



À volta disso.



Em que outras situações é que a ivermectina é aplicada?



A ivermectina é, principalmente, um desparasitante, que serve para curar doenças como a Cegueira dos Rio. Também é usada no tratamento de piolhos e da rosácea. Estas são as principais aplicações.



Há quanto tempo é que a Hovione produz ivermectina?



Produzimos isto desde 1997, aqui em Macau.



A ivermectina para humanos é produzida principalmente aqui em Macau. Quais são os outros países que a produzem?



Tanto quanto sei, também há uma empresa na China, mas não sei qual é a sua situação actual. Actualmente, somos o principal produtor de ivermectina no mundo.



Para que zonas é que a Hovione exporta a ivermectina?



Principalmente para a Europa e Estados Unidos. Na Europa, eles recebem o produto e enviam para vários pontos do mundo. O cliente também vende o produto em todo o mundo, envia para o resto do mundo.



Qual é a quantidade vendida para a Europa?



Não posso dizer.



Desde que foi noticiado que existe a possibilidade de a ivermectina curar a Covid-19, houve um aumento nas exportações da ivermectina?



Não. Nesta fase, os nossos clientes só estão a usar o produto como desparasitante. Como ainda não há prova de que este fármaco é útil para o tratamento da Covid-19, os clientes ainda não se manifestaram. O volume de exportações é o mesmo.



Se se provar que a ivermectina é eficaz no tratamento do coronavírus, acredita que irá haver mais procura? E, se sim, a Hovione está preparada?



Qualquer fármaco que for eficaz na cura da Covid-19, que é o problema que gera mais preocupação em todo o mundo, de certeza que terá uma procura bastante significativa em todo o mundo. Se apenas uma empresa pode fazer este produto para todos os interessados do mundo? É uma boa questão, mas a resposta óbvia é que será um desafio muito grande e provavelmente não será possível. A mesma questão aplica-se ao caso de haver uma vacina. Vamos ter apenas uma empresa a produzir a vacina para toda a gente? Acho bastante difícil. Acho que este será um desafio para depois do desenvolvimento do fármaco. Depois dos testes, o próximo desafio será: como é que a vamos produzir para todas as pessoas do mundo?



A Hovione já está a pensar nisso?



De certeza que a empresa está a avaliar. Não apenas para a ivermectina, mas há outros fármacos de que o mundo pode vir a precisar, não apenas para curar a Covid-19, mas também porque a Covid-19 pode desenvolver outros problemas e aí tem de se recorrer a outros produtos. Por exemplo, se se tiver uma infecção, provavelmente vão ser necessários antibióticos. Nós também estamos a avaliar, em termos globais. E se tivermos um grande aumento na procura? Nós temos pensado em como aumentar a produção de produtos que poderão ajudar, não apenas a Covid-19, mas os problemas a ela associados. Estamos agora a avaliar.



Mas será possível produzir tudo em Macau, ou a Hovione poderá começar a produzir a ivermectina noutras regiões?



De certeza que não conseguiremos produzir tudo em Macau. Em Macau, a nossa fábrica não é muito grande. É difícil expandir em Macau num curto período de tempo. Nós temos outras fábricas em outras zonas do mundo, por isso, se houver um aumento da procura de fármacos produzidos em Macau que seja maior que a nossa capacidade, tenho a certeza que o grupo vai considerar outros locais.



Já receberam contactos de possíveis clientes? Pedidos de informações, por exemplo?



Ainda não.



Disse que é difícil a empresa expandir em Macau, mas já falaram com o Governo sobre isso? Ou o Governo já falou com a Hovione para saber mais sobre este fármaco que pode ser útil no combate ao vírus?



Não. Alguns jornalistas perguntaram sobre esse assunto, mas o Governo não. A Hovione tem tentado falar com o Governo para saber se há alguma possibilidade de termos terrenos para onde nos possamos expandir, porque o nosso negócio tem vindo a crescer ao longo dos anos. O grupo acredita que ainda é adequado desenvolver a produção em Macau, ao longo dos anos temos falado com o Governo, mas sem grande sucesso. Não temos tido respostas positivas da parte deles. Eles compreendem que nós precisamos de novos terrenos para expandir, mas a resposta é sempre que não conseguiram encontrar terrenos adequados para nós. Com o novo Governo, esperamos que isso mude.



Já falou com Ho Iat Seng?



Nós queremos reunir com ele, e ele sabe que, no passado, já expressámos que, para diversificar a economia de Macau, a indústria farmacêutica pode ser boa.



Quando é que vai reunir com o Chefe do Executivo?



Agora o Governo está bastante ocupado com a apresentação das Linhas de Acção Governativa, mas acho que nos próximos dias vamos poder arranjar algum tempo para falar com o Governo sobre quais são as possibilidades em Macau, ou nas proximidades, para onde nos possamos expandir. Para já nós conseguimos produzir os fármacos, mas há uma grande variedade de produtos a irem para o mercado e há produtos que poderiam ser produzidos em Macau devido à proximidade com a China. Seria bom na compra dos materiais em bruto e na exportação para o mercado chinês. Macau tem uma localização bastante importante e estratégica.



Já falou, no passado, com o Governo sobre a necessidade de expansão da Hovione em Macau e a resposta foi sempre negativa. Compreende a justificação do Governo, de que há falta de terrenos disponíveis?



Tenho a certeza de que nos arranjariam espaço se quisessem desenvolver a indústria. Talvez eles não encontrem um terreno adequado para nós. Não há espaços disponíveis em zonas industriais, apesar de actualmente as zonas industriais estarem muito perto de residências. No entanto, acho que o melhor sítio para desenvolver a indústria farmacêutica seria numa zona industrial.



O Governo indicou que quer desenvolver a Ilha de Hengqin, no futuro. Seria uma boa possibilidade, a Hovione mudar-se para lá?



Isso poderia ser uma opção, mas diria que há uma questão. Qual seria a metodologia administrativa a aplicar? Seria a de Macau ou da China? Considerar-se-ia que o produto era produzido em Macau ou na China? As regras seriam as de Macau ou as da China? Haveria diferentes implicações. Nós já estamos muito familiarizados com os procedimentos aplicados em Macau. Certamente que seria benéfico para nós continuarmos as nossas operações em Macau, na China haveria vários aspectos aos quais nós nos teríamos de adaptar.



Qual seria a diferença entre produzir em Macau e produzir na China?



A lei e os regulamentos são diferentes. Requerer licenças é diferente, a velocidade de execução das coisas é diferente, por isso, diria que tal iria afectar a atractividade de Hengqin. Temos de ser cautelosos antes de dizer que Hengqin seria adequado para nós. Porque se considerarmos que Hengqin é puramente China, qual seria a diferença entre mudar para Hengqin ou mudar para Zhuhai ou Zhongshan ou outras partes da China?



Em 2001, a Hovione produziu um antibiótico que se provou eficaz face ao Antrax. Como é que foi o processo, na altura?



O antibiótico chama-se doxiciclina. O processo foi como agora, com a ivermectina, também havia uma outra farmacêutica a produzir a doxiciclina na China.



E a Hovione registou um aumento nas exportações da doxiciclina?



Aumentaram os pedidos de informações sobre o produto, relativamente à acessibilidade, preço e qualidade. Vimos que houve um aumento de procura da doxiciclina, mas não foi grande.



Quantas pessoas emprega a Hovione Macau?



Temos cerca de 200 funcionários.



São sobretudo residentes de Macau ou são do interior da China?



São principalmente de Macau. Mas temos trabalhadores do interior da China, temos trabalhadores das Filipinas, da Índia, do Nepal, de Portugal, Malásia, Singapura.



E como é que a Hovione lidou com a crise epidémica? Alguns dos trabalhadores do interior da China não puderam vir para Macau por causa do fecho das fronteiras?



Como as pessoas estavam muito preocupadas e não queriam atravessar as fronteiras, mesmo antes de serem impostas as restrições de entrada, nós arranjámos alojamento em Macau para que os nossos funcionários pudessem ficar aqui. Cerca de 20 pessoas ficaram nos alojamentos que nós demos. Elas estão lá desde o Ano Novo Chinês até agora. Esta crise também afectou a Hovione, mas nós não suspendemos os nossos trabalhos. Houve duas semanas de atraso na entrega dos materiais porque, depois do Ano Novo Chinês, o produtor dos materiais em bruto atrasou a entrega dos materiais em duas semanas, mas, assim que continuaram as operações, recebemos a primeira entrega. Houve algum impacto, mas foi de apenas uma ou duas semanas de atraso.



E houve decréscimo nas receitas?



Acho que não. As receitas têm sido basicamente as mesmas. Nós temos estado a vender bastante bem, não temos parado e temos recebido os materiais de que precisamos.



A Hovione não se viu forçada a recorrer ao ‘lay-off’ para os funcionários?



Não. As nossas operações não pararam. Não houve necessidade de colocar ninguém em ‘lay-off’.







Ler o artigo em Ponto Final Macau online.





 

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ZUG, SUÍÇA, 8 de setembro de 2026 — A Hovione Holding AG anunciou hoje a nomeação de Stefan Doboczky como Chief Executive Officer (CEO), com efeitos a partir de 1 de abril de 2027. Stefan Doboczky é Presidente do Conselho de Administração da Hovione Holding AG desde 2024, tendo desempenhado um papel fundamental na definição da estratégia e da visão da empresa. Deixará a presidência do Conselho de Administração quando assumir as funções de CEO. Fundada em 1959, a Hovione é um grupo familiar de tecnologia e serviços farmacêuticos que serve a indústria à escala global, com mais de 2.600 colaboradores, quatro unidades de produção e I&D inspecionadas pela FDA-Food and Drug Administration na Europa, nos Estados Unidos e na China, e é reconhecida internacionalmente pela sua liderança tecnológica nas áreas de secagem por atomização (spray drying) e produção contínua de comprimidos (continuous tableting). Esta nomeação marca o regresso de Stefan Doboczky à indústria farmacêutica, após mais de 17 anos na Royal DSM, onde chegou a membro da Comissão Executiva, com responsabilidade pelo portefólio farmacêutico global do grupo e pelo seu crescimento na Ásia. Posteriormente, exerceu durante 11 anos funções de CEO em empresas industriais cotadas, detidas por fundos de capital privado e integradas em grupos empresariais, incluindo a Lenzing AG, a Heubach GmbH e a Borealis AG. Após a integração da Borealis, da Borouge e da NOVA Chemicals na Borouge International, assumiu as funções de Chief Commercial Officer e Vice-Presidente da Comissão Executiva do grupo resultante da fusão. Passará estas responsabilidades ao seu sucessor a 1 de outubro de 2026 e permanecerá disponível durante seis meses para apoiar a transição. Stefan Doboczky possui um mestrado em Química Técnica e um doutoramento em Ciências Naturais, ambos pela Universidade Tecnológica de Viena (TU Wien), na Áustria, e também um MBA pelo IMD, em Lausanne, na Suíça. Esta nomeação resulta de um processo de sucessão abrangente conduzido pelo Conselho de Administração e representa um passo importante na evolução da Hovione. Reflete a ambição da empresa de continuar a reforçar a sua posição internacional como fornecedor de referência de tecnologia e serviços para empresas farmacêuticas em todo o mundo. Guy Villax, Administrador Não Executivo e Presidente do Conselho de Família, em representação do principal acionista da empresa, afirmou: “Estamos muito satisfeitos por o Stefan assumir a liderança executiva da Hovione. Enquanto Presidente do Conselho de Administração, adquiriu um conhecimento profundo da empresa, da sua cultura e das suas pessoas, e contribuiu para definir a nossa orientação estratégica e as nossas prioridades. A sua experiência internacional, as suas competências comerciais e a sua comprovada capacidade para transformar empresas de forma sustentável colocam-no numa posição privilegiada para liderar a Hovione na sua próxima fase de crescimento. A sua disponibilidade para passar do Conselho de Administração para a liderança executiva é um forte sinal da sua confiança nesta empresa e nas oportunidades que tem pela frente. Stefan Doboczky, CEO designado da HOVIONE, afirmou: “É uma honra assumir o cargo de CEO da Hovione e passar da presidência do Conselho de Administração para a liderança executiva da empresa. Ao longo destes dois anos como Presidente, pude conhecer o extraordinário potencial desta organização, assente numa base tecnológica muito sólida, em pessoas talentosas e num forte compromisso com os doentes. Regressar à indústria farmacêutica, onde desenvolvi uma parte fundamental da minha carreira, e fazê-lo como CEO de uma empresa familiar com uma visão de tão longo prazo é uma oportunidade única. Agradeço ao Conselho de Administração e aos acionistas a confiança depositada em mim. Estou entusiasmado com a perspetiva de trabalhar em estreita colaboração com a equipa de liderança global da Hovione e com o Conselho de Administração para reforçar a nossa presença internacional, impulsionar a inovação e criar valor sustentável para os nossos clientes, parceiros e acionistas.” O Conselho de Administração expressa também o seu reconhecimento a Marco Gil e António Almeida pela liderança que têm assegurado durante este período como co-CEOs interinos e por garantirem a continuidade da execução bem-sucedida da estratégia da empresa até Stefan assumir funções como CEO.      

Artigo de Imprensa

Hovione nomeia Stefan Doboczky como Chief Executive Officer

Set 08, 2026

O podcast "A Próxima Descoberta" é uma série de seis episódios numa parceria entre o Observador Lab e a Hovione. Dos hospitais às casas dos doentes, conheça as soluções que permitem administrar biológicos de alta dosagem com mais conforto, menos dor e maior liberdade no tratamento. E se algumas das descobertas científicas que podem melhorar a vida de milhões de pessoas estivessem a acontecer neste momento em Portugal? "A próxima descoberta". Ouça aqui o sexto e último episódio do podcast, com João Pires e Joana Cristovão, do Centro de Investigação e Desenvolvimento da Hovione.   [Transcrição] Nelson Ferreira (NF): Seja bem-vindo ao sexto e último episódio de "A próxima descoberta", uma série de podcasts em que a Hovione abre as portas do seu mundo para partilhar conosco o impacto global da inovação desenvolvida a partir do nosso país. Eu sou o Nelson Ferreira e ao longo desta viagem falamos de processos químicos, de partículas ultrafinas e de linhas de produção revolucionárias. Hoje olhamos diretamente para o futuro da medicina. Depois de explorarmos o mundo das pequenas moléculas, entramos agora numa nova dimensão terapêutica, a dos medicamentos biológicos, baseados em moléculas maiores e mais complexas, que estão a abrir novas possibilidades de tratamento de várias doenças. E para nos explicar como esta área está a evoluir e como a ciência pode tornar estes tratamentos mais eficazes, estáveis e acessíveis para os doentes, recebo o João Pires e a Joana Cristóvão, do Centro de Investigação e Desenvolvimento da Hovione.  NF: Muito bem-vindos a ambos. João, começaria por si. Para quem nunca ouviu falar deste termo, o que são afinal os medicamentos biológicos e o que os distingue dos medicamentos de pequenas moléculas, que são mais associados à química tradicional? João Pires (JP): Sim. Se pensarmos um bocadinho naquilo que podemos encontrar hoje em dia nas farmácias, é de facto verdade que a maioria desses medicamentos são compostos por essas pequenas moléculas, estruturas mais simples, ainda que eficazes, mas que nós conseguimos desenhar e fabricar pela química chamada clássica e que desenvolveu esse conhecimento ao longo dos últimos 150 e 200 anos. Relativamente aos biológicos, são completamente diferentes. São organismos que não só pela sua complexidade, como muito maior dimensão e estrutura, são, principalmente na sua origem, bastante diferentes, porque são produzidos de organismos vivos, por exemplo, as células, que dadas certas condições ideais, podem funcionar como fábricas de biológicos e que nos permitem, tal e qual como no nosso corpo, extrair as substâncias desejadas, que podem ter uma influência terapêutica relevante para certas indicações. Beneficiam, por isso, de milhões de anos de evolução, que a química clássica não tem conseguido. NF: É a biologia que fez essa evolução. JP: É a biologia. Portanto, é a beleza também da- NF: A natureza que fez esse processo todo, esse processo por nós.  NF: Joana, por serem criados a partir de organismos vivos, podemos dizer que estes medicamentos são, entre aspas, mais inteligentes, que têm um potencial terapêutico maior? Joana Cristovão (JC): Podemos dizer que efetivamente, em alguns dos casos, têm um elevado potencial terapêutico. A vantagem destas moléculas é que são moléculas com uma capacidade de especificidade bastante elevada. Ou seja, podemos ver como se fosse uma chave para uma fechadura. Tem de ser a chave certa para a fechadura. Efetivamente, os biológicos, falando a mesma língua biológica dentro do nosso corpo, conseguem ter esta vantagem, estão a falar a mesma língua. Mas não significa que são melhores do que as pequenas moléculas. Significa que, efetivamente, sendo produzidas por micro-organismos vivos, são bastante complexas e seria muito difícil, e em alguns casos impossível, de serem produzidas pela clássica síntese química, mas têm aqui uma grande vantagem de serem bastante específicos. Exemplos de biológicos são proteínas que têm a função de comunicar dentro do nosso corpo, anticorpos monoclonais que têm a função de identificar um alvo específico e estas funções efetivamente são mais relevantes nos biológicos do que nas pequenas moléculas. NF: João, esta é uma área, pelo que percebo, um pouco emergente ainda em todo o mundo. Como é que a Hovione, sendo uma empresa historicamente ligada à síntese química e engenharia de partículas de pequenas moléculas, chegou até aqui e decidiu também abraçar este desafio dos biológicos? JP: Sinceramente, tem sido uma transição muito natural. Acho que primeiro porque ao longo dos anos a Hovione desenvolveu um conjunto de especialidade, conhecimento científico muito específico em áreas também elas muito específicas de química, engenharia de partícula e formulação. E quando olhamos para os biológicos, apesar da sua maior complexidade, o problema acaba por ser mais ou menos o mesmo. Continua a precisar de materiais, processos e controles que os permitam chegar de uma forma estável e robusta aos pacientes. NF: Mas há potencial? JP: Claro que sim. Não só há potencial como há desafios. E isso vem, se calhar, o segundo ponto, que é a curiosidade. Acho que desde a história da Hovione e desde o fundador, essa curiosidade e esse desejo de abraçar desafios cada vez mais complexos, é um pouco parte da gênese, principalmente no nosso centro de inovação e desenvolvimento, e por isso é também um fator muito aliciante para quem trabalha na Hovione, poder estar a par desta transição. NF: E não está assim tão longe da sua história também. JP: Não. NF: Por isso que explicava.  NF: Joana, em que áreas terapêuticas é que estes medicamentos biológicos já tiveram um impacto mais significativo? Há doenças que vieram mudar claramente a forma como os doentes são tratados? JC: Há áreas- NF: Isto já não é ficção científica, já existe na prática. JC: Exatamente. E já existe há muito tempo em algumas áreas. Por exemplo, na oncologia existem anticorpos que são utilizados também para matar as células cancerígenas. Com especificidade. Ou seja, em vez de matarmos as células de uma maneira geral, direcionamos esta morte ao mecanismo de ação da doença. NF: Reduz efeitos secundários, imagino. JC: E que também reduz efeitos secundários. E numa vertente também diferente, o cancro é uma doença bastante esperta e evolui muito rapidamente, porque se esconde das nossas defesas e do nosso sistema imunitário. Então também existem tratamentos baseados em biológicos, cujo objetivo também é ajudar as nossas defesas a fazerem o trabalho delas, a retirar este véu invisível que alguns tumores têm, que os faz progredir muito rapidamente e a ajudar as nossas defesas a atacar. Outro exemplo, e é um exemplo clássico que já foi resolvido há 40 anos, é o exemplo da diabetes. A insulina é o tratamento mais comum utilizado para a diabetes e aqui, antes da biotecnologia, a insulina era isolada de animais e consequentemente, a sua produção era bastante limitada. Com a possibilidade de utilizar a biotecnologia para produzir os biológicos, conseguimos produzir insulina humana, a chamada insulina recombinante, porque efetivamente utilizamos micro-organismos vivos para os produzir. E esta mudança fez com que este tratamento ficasse disponível para mais pessoas e que se salvassem milhares de vidas. NF: Dois exemplos claros onde estes biológicos já estão, entre aspas, a atacar. João, hoje já estão, de facto, no mercado, mas imagino que a transposição e estabilização em laboratório trazem grandes desafios técnicos. Que desafios é que foram estes no caso dos biológicos? JP: Sendo moléculas muito complexas e, como a Joana descreveu, até de alguma forma elegantes, são também igualmente sensíveis, quase como uma flor de estufa. E portanto, a evolução biológica, como falámos há pouco, tratou de as otimizar para sobreviverem e estarem em condições muito específicas, condições essas que muitas vezes não são as que nós temos nos nossos processos industriais, de transporte ou até da administração do fármaco. E portanto, estas moléculas são tipicamente muito sensíveis ao calor, ao ar, à pressão e até só o simples fato de elas estarem muito tempo juntas, acabam por começar a interagir entre si, perder a sua estrutura e também, infelizmente, o seu efeito terapêutico. E é um bocadinho aí que nós entramos, ou seja, os clientes tipicamente vêm ter connosco com algo com potencial terapêutico muito grande, mas apenas muitas vezes só uma prova de conceito. E nós pegamos, digamos assim, nesses primeiros testes laboratoriais experimentais para tentar criar aqui controles, processos, até formulação, que permita levar isto aos milhares, milhões de unidades, sempre com obviamente bastante cuidado para um controle de qualidade e estabilidade imaculados para os fármacos. NF: Joana, mas afinal, como é que são administrados estes medicamentos? São diferentes dos outros? Tradicionalmente, muitos exigem uma ida ao hospital para uma administração intravenosa mais demorada. É assim que funcionam com os biológicos? JC: Exatamente. Tradicionalmente, estes biológicos são administrados diretamente na veia por perfusão, muito semelhante quando nós levamos soro. Mas a indústria farmacêutica quer se focar também não unicamente em resolver os problemas e doenças, mas também tem um foco grande no doente. Esta administração envolve uma ida ao hospital, algum tempo para ser administrado e em doenças crônicas, isto repete-se ao longo da vida. E a ambição da indústria farmacêutica também é arranjar tratamentos alternativos que sejam mais confortáveis ao doente e que se crie mais autonomia para o doente. NF: Para que ele não precise, se calhar, de ir ao hospital? JC: Exatamente. O objetivo final seria então termos soluções mais injetáveis com uma ambição do próprio doente conseguir administrar sozinho. Para isso, então é preciso haver inovação na parte de tecnologia, de desenvolvimento de formulações e de dispositivos que permitam que o doente o consiga fazer. NF: João, é aqui que entra o vosso conceito de formulações de alta concentração. O que é isto na prática? E de facto, um dia já não precisaremos de um enfermeiro para uma injeção. Haverá um dispositivo para o fazermos nós próprios. JP: Sim, esperemos que sim. O conceito de formulações de alta concentração é relativamente simples. Significa colocar o máximo de medicamento no volume o mínimo possível, mínimo o suficiente que possa, por exemplo, caber num bolso, estilo um auto injetor, que hoje em dia creio que as pessoas- NF: Uma caneta. JP: Uma caneta. Creio que as pessoas, até pela nova geração de alguns medicamentos, especialmente para obesidade, etc, tornou-se relativamente popular e bastante mais familiar, apesar de ser utilizado em outras aplicações. Isto tecnicamente parece simples, colocar mais de uma coisa, menos de outra, mas obviamente, como sabemos, estas moléculas, e já falámos aqui, são bastante sensíveis e à medida que vão sendo mais concentradas, ou seja, estão mais apertadas entre si Problemas começam a surgir. Para além da estabilidade e como já falámos um bocadinho da sua alteração de estrutura, há essencialmente um problema de viscosidade. Eu acho que isto é fácil de visualizar, qualquer coisa mais concentrada tende a ser mais viscosa. NF: Mais difícil de injetar. JP: Mais difícil de injetar, o que leva à questão da dor e, portanto, mais viscosidade tipicamente leva a uma maior dor da administração. Isso viola diretamente o conceito de desenvolvermos formulações e medicamentos mais convenientes e mais user friendly. E é esse o problema que a indústria neste momento tem em mãos, arranjar soluções que consigam quebrar as barreiras da dose e baixar os volumes sem comprometer a eficácia terapêutica, mas também a conveniência e a aceitabilidade destas novas soluções de alta concentração. NF: Joana, só para terminarmos, o que sentem os cientistas quando olham para o futuro e veem também este trabalho diário da Hovione a aproximar a medicina de soluções que são cada vez mais personalizadas, mais convenientes, mais centradas na vida dos doentes, mais confortáveis para eles? Imagino que orgulhosos por esse desenvolvimento também. JC: Acho que é uma grande responsabilidade e acho que daí também vem uma grande motivação. A medicina está cada vez a tornar-se mais personalizada, mais focada nos mecanismos que levam à doença e não só focada no tratamento de sintomas, mas em ser mais dirigida àquilo que faz com que haja doença. E acho que é um grande orgulho estar em equipas que fazem parte desta jornada, que nos levam a um futuro melhor e focado no doente. NF: João, o futuro é biológico ou não só, mas também? JP: Não só, mas também. Mas claramente acho que os biológicos nos permitem novos sonhos, novas ambições, especialmente em melhores medicamentos, mais personalizados e mais eficazes e, portanto, abre todo um conjunto de possibilidades que até hoje se calhar não era possível de imaginar. NF: João Pires e Joana Cristóvão, muito obrigado por nos abrirem as portas do futuro da medicina. É com este olhar sobre o amanhã que termina a primeira temporada do podcast "A Próxima Descoberta". Ao longo destes seis episódios, viajamos desde uma cave em Lisboa em 1959, até à liderança tecnológica mundial, que todos os anos toca a vida a mais de 80 milhões de pessoas. Ficou provado que com curiosidade, rigor e talento, as próximas grandes descobertas da ciência mundial podem mesmo ter a assinatura do nosso país. Para ouvir todos os episódios desta série, pode fazê-lo em Observador.pt e nas plataformas de podcast. Eu sou o Nelson Ferreira, foi um gosto acompanhar-vos nesta viagem. Até à próxima descoberta.    

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Podcast “A Próxima Descoberta” (EP6) - Biológicos de alta dosagem: da ficção à realidade

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