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Artigo de Imprensa / Abr 23, 2020

Ao longo dos anos temos falado com o Governo, mas sem grande sucesso

Ponto Final, 23 abril 2020

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A ivermectina, produzida em Macau pela Hovione, tem estado em destaque devido à possibilidade de ser utilizada no tratamento da Covid-19. Eddy Leong, director-geral das operações da Hovione em Macau, assume que a empresa portuguesa está a avaliar os possíveis efeitos de uma maior procura da ivermectina, o que poderá até fazer com que a produção deste princípio activo passe a ser feita noutro local. Em entrevista ao PONTO FINAL, Eddy Leong refere que, para suportar a procura, a Hovione tem de se expandir, mas o diálogo com o Governo tem sido infrutífero.







Uma investigação do Biomedicine Discovery Institute, da Universidade de Monash, na Austrália, apontou a ivermectina, um fármaco habitualmente usado como desparasitante, como uma das possíveis soluções no tratamento da Covid-19. Segundo as conclusões das investigações laboratoriais preliminares, uma dose de ivermectina pode travar o crescimento do novo coronavírus num prazo de 48 horas. O princípio activo deste fármaco é produzido, para todo o mundo, em Macau, pela Hovione. Em entrevista ao PONTO FINAL, Eddy Leong, director-geral da empresa, diz-se “cauteloso” quanto à eficácia do fármaco, mas assume que a Hovione já está a pensar em planos para a eventualidade de a procura pela ivermectina aumentar em grande escala. “Depois dos testes, o próximo desafio será: como é que a vamos produzir para todas as pessoas do mundo?”. Caso se confirme a eficácia do produto, a Hovione terá de procurar outros locais para produzir a ivermectina, assumiu Eddy Leong. O director geral diz que a empresa precisa de mais espaço em Macau para a produção e que até tem pedido ao Governo mais terrenos. Porém, a resposta é sempre a mesma: Não há espaço. “Tenho a certeza de que nos arranjariam espaço se quisessem desenvolver a indústria”, afirma, acrescentando que a indústria farmacêutica poderia ser benéfica para diversificar a economia da região.



 



Tem-se falado na possibilidade de a ivermectina poder ser benéfica no tratamento da infecção pelo Covid-19. Quais são as evidências científicas, para já?



A atenção da comunicação social e do público deve-se a um estudo feito por cientistas australianos. Durante a Covid-19, acho que muitas pessoas e entidades tentaram encontrar e avaliar produtos que já estavam disponíveis no mercado, para verem se podia haver a possibilidade de eles curarem a Covid-19. Esta equipa estudou fármacos, como a ivermectina, e descobriu, durante a investigação laboratorial, num estudo ‘in vitro’, que a ivermectina é eficaz no combate ao vírus. O que faz é inibir a reprodução e a replicação deste vírus. ‘In vitro’ significa que o estão a fazer num laboratório, usando células orgânicas. Ainda não houve nenhum teste clínico em humanos. Essa será a próxima fase. Eles têm de fazer isso antes de poderem confirmar que é adequado e viável para humanos. Nesta fase, o estudo mostra apenas que é visível, mas apenas em laboratório e usando células orgânicas.



Quando é que vão começar os testes em humanos?



Ainda é difícil dizer, porque acho que eles precisam de planear os próximos passos nos testes clínicos. Isso também depende dos fundos disponíveis, que acho que é algo que é falado nas notícias. Como nós não fazemos parte deste estudo, nós vamos lendo as notícias. 



A equipa australiana não contactou a Hovione, uma vez que é uma das maiores produtoras de ivermectina no mundo?



Não. Eles publicaram o estudo numa revista científica e identificaram a ivermectina. Como se sabe, a ivermectina é produzida em Macau. Não há muitos fabricantes de ivermectina para humanos e nós somos um deles. Por isso, acho que as pessoas associaram o estudo à produção de ivermectina.



O que é que este estudo mostrou, até agora? Na prática, o que é que pode fazer ao vírus?



Inibe a replicação do vírus. Não estou envolvido neste estudo, mas posso dizer que, quando se diz que um fármaco pode curar uma doença, o que significa é que inibe a replicação do vírus, para que o sistema imunitário possa curar por si. Se o vírus se continuar a replicar, o volume da concentração do vírus é tanto que o sistema imunitário não consegue reagir ou curar, então vai-se ficando cada vez mais doente e desenvolve-se sintomas cada vez mais fortes e, eventualmente, pode-se morrer devido a uma falha dos órgãos. Este fármaco mostrou eficácia na supressão da replicação, para que o corpo possa ganhar a guerra ao vírus.



Está optimista em relação a estes testes? O que é que espera?



Eu estou cauteloso, não relativamente à capacidade de cura, mas em relação à dosagem. Há mais fármacos que mostraram alguns efeitos, mas, no fundo, a questão fundamental é: quando usado em humanos, qual será a dosagem certa para matar a Covid-19? Se a dosagem for pequena, como a que é usada para desparasitar – que é o que a ivermectina faz, é um desparasitante -, é seguro para humanos. Porque a dose não pode ser demasiada. Mas se, durante os testes, descobrirem que a dosagem para matar a Covid-19 for 100 vezes maior, talvez isso seja demasiado para humanos. Há uma dosagem certa para cada fármaco. Eu espero que funcione, mas sou cauteloso relativamente a qual será a dosagem de segurança para humanos.



E qual é a dosagem de segurança da ivermectina para humanos?



Não tenho a certeza, porque há diferentes formulações. Pode haver medicamentos com 10 miligramas ou centenas de miligramas.



A Hovione produz o princípio activo e depois exporta o produto, correcto?



O que fazemos é produzir o ingrediente activo, o principal componente do medicamento. Nós sintetizamos quimicamente o produto, ficando em forma de pó, depois é colocado em grandes pacotes e enviado para os nossos clientes. Os nossos clientes, as empresas farmacêuticas, fazem as suas próprias formulações, em forma de barra, cápsulas, algumas fazem gel ou loções. Independentemente da sua aplicação, o principal ingrediente é feito pela Hovione. Por isso é que não se vê a marca Hovione nas farmácias, mas a parte activa é feita pela Hovione.



Qual é a quantidade de ivermectina produzida anualmente pela Hovione?



Algumas toneladas. 



Quantas?



Não posso dizer.



Duas, três?



Mais do que isso.



Dez?



À volta disso.



Em que outras situações é que a ivermectina é aplicada?



A ivermectina é, principalmente, um desparasitante, que serve para curar doenças como a Cegueira dos Rio. Também é usada no tratamento de piolhos e da rosácea. Estas são as principais aplicações.



Há quanto tempo é que a Hovione produz ivermectina?



Produzimos isto desde 1997, aqui em Macau.



A ivermectina para humanos é produzida principalmente aqui em Macau. Quais são os outros países que a produzem?



Tanto quanto sei, também há uma empresa na China, mas não sei qual é a sua situação actual. Actualmente, somos o principal produtor de ivermectina no mundo.



Para que zonas é que a Hovione exporta a ivermectina?



Principalmente para a Europa e Estados Unidos. Na Europa, eles recebem o produto e enviam para vários pontos do mundo. O cliente também vende o produto em todo o mundo, envia para o resto do mundo.



Qual é a quantidade vendida para a Europa?



Não posso dizer.



Desde que foi noticiado que existe a possibilidade de a ivermectina curar a Covid-19, houve um aumento nas exportações da ivermectina?



Não. Nesta fase, os nossos clientes só estão a usar o produto como desparasitante. Como ainda não há prova de que este fármaco é útil para o tratamento da Covid-19, os clientes ainda não se manifestaram. O volume de exportações é o mesmo.



Se se provar que a ivermectina é eficaz no tratamento do coronavírus, acredita que irá haver mais procura? E, se sim, a Hovione está preparada?



Qualquer fármaco que for eficaz na cura da Covid-19, que é o problema que gera mais preocupação em todo o mundo, de certeza que terá uma procura bastante significativa em todo o mundo. Se apenas uma empresa pode fazer este produto para todos os interessados do mundo? É uma boa questão, mas a resposta óbvia é que será um desafio muito grande e provavelmente não será possível. A mesma questão aplica-se ao caso de haver uma vacina. Vamos ter apenas uma empresa a produzir a vacina para toda a gente? Acho bastante difícil. Acho que este será um desafio para depois do desenvolvimento do fármaco. Depois dos testes, o próximo desafio será: como é que a vamos produzir para todas as pessoas do mundo?



A Hovione já está a pensar nisso?



De certeza que a empresa está a avaliar. Não apenas para a ivermectina, mas há outros fármacos de que o mundo pode vir a precisar, não apenas para curar a Covid-19, mas também porque a Covid-19 pode desenvolver outros problemas e aí tem de se recorrer a outros produtos. Por exemplo, se se tiver uma infecção, provavelmente vão ser necessários antibióticos. Nós também estamos a avaliar, em termos globais. E se tivermos um grande aumento na procura? Nós temos pensado em como aumentar a produção de produtos que poderão ajudar, não apenas a Covid-19, mas os problemas a ela associados. Estamos agora a avaliar.



Mas será possível produzir tudo em Macau, ou a Hovione poderá começar a produzir a ivermectina noutras regiões?



De certeza que não conseguiremos produzir tudo em Macau. Em Macau, a nossa fábrica não é muito grande. É difícil expandir em Macau num curto período de tempo. Nós temos outras fábricas em outras zonas do mundo, por isso, se houver um aumento da procura de fármacos produzidos em Macau que seja maior que a nossa capacidade, tenho a certeza que o grupo vai considerar outros locais.



Já receberam contactos de possíveis clientes? Pedidos de informações, por exemplo?



Ainda não.



Disse que é difícil a empresa expandir em Macau, mas já falaram com o Governo sobre isso? Ou o Governo já falou com a Hovione para saber mais sobre este fármaco que pode ser útil no combate ao vírus?



Não. Alguns jornalistas perguntaram sobre esse assunto, mas o Governo não. A Hovione tem tentado falar com o Governo para saber se há alguma possibilidade de termos terrenos para onde nos possamos expandir, porque o nosso negócio tem vindo a crescer ao longo dos anos. O grupo acredita que ainda é adequado desenvolver a produção em Macau, ao longo dos anos temos falado com o Governo, mas sem grande sucesso. Não temos tido respostas positivas da parte deles. Eles compreendem que nós precisamos de novos terrenos para expandir, mas a resposta é sempre que não conseguiram encontrar terrenos adequados para nós. Com o novo Governo, esperamos que isso mude.



Já falou com Ho Iat Seng?



Nós queremos reunir com ele, e ele sabe que, no passado, já expressámos que, para diversificar a economia de Macau, a indústria farmacêutica pode ser boa.



Quando é que vai reunir com o Chefe do Executivo?



Agora o Governo está bastante ocupado com a apresentação das Linhas de Acção Governativa, mas acho que nos próximos dias vamos poder arranjar algum tempo para falar com o Governo sobre quais são as possibilidades em Macau, ou nas proximidades, para onde nos possamos expandir. Para já nós conseguimos produzir os fármacos, mas há uma grande variedade de produtos a irem para o mercado e há produtos que poderiam ser produzidos em Macau devido à proximidade com a China. Seria bom na compra dos materiais em bruto e na exportação para o mercado chinês. Macau tem uma localização bastante importante e estratégica.



Já falou, no passado, com o Governo sobre a necessidade de expansão da Hovione em Macau e a resposta foi sempre negativa. Compreende a justificação do Governo, de que há falta de terrenos disponíveis?



Tenho a certeza de que nos arranjariam espaço se quisessem desenvolver a indústria. Talvez eles não encontrem um terreno adequado para nós. Não há espaços disponíveis em zonas industriais, apesar de actualmente as zonas industriais estarem muito perto de residências. No entanto, acho que o melhor sítio para desenvolver a indústria farmacêutica seria numa zona industrial.



O Governo indicou que quer desenvolver a Ilha de Hengqin, no futuro. Seria uma boa possibilidade, a Hovione mudar-se para lá?



Isso poderia ser uma opção, mas diria que há uma questão. Qual seria a metodologia administrativa a aplicar? Seria a de Macau ou da China? Considerar-se-ia que o produto era produzido em Macau ou na China? As regras seriam as de Macau ou as da China? Haveria diferentes implicações. Nós já estamos muito familiarizados com os procedimentos aplicados em Macau. Certamente que seria benéfico para nós continuarmos as nossas operações em Macau, na China haveria vários aspectos aos quais nós nos teríamos de adaptar.



Qual seria a diferença entre produzir em Macau e produzir na China?



A lei e os regulamentos são diferentes. Requerer licenças é diferente, a velocidade de execução das coisas é diferente, por isso, diria que tal iria afectar a atractividade de Hengqin. Temos de ser cautelosos antes de dizer que Hengqin seria adequado para nós. Porque se considerarmos que Hengqin é puramente China, qual seria a diferença entre mudar para Hengqin ou mudar para Zhuhai ou Zhongshan ou outras partes da China?



Em 2001, a Hovione produziu um antibiótico que se provou eficaz face ao Antrax. Como é que foi o processo, na altura?



O antibiótico chama-se doxiciclina. O processo foi como agora, com a ivermectina, também havia uma outra farmacêutica a produzir a doxiciclina na China.



E a Hovione registou um aumento nas exportações da doxiciclina?



Aumentaram os pedidos de informações sobre o produto, relativamente à acessibilidade, preço e qualidade. Vimos que houve um aumento de procura da doxiciclina, mas não foi grande.



Quantas pessoas emprega a Hovione Macau?



Temos cerca de 200 funcionários.



São sobretudo residentes de Macau ou são do interior da China?



São principalmente de Macau. Mas temos trabalhadores do interior da China, temos trabalhadores das Filipinas, da Índia, do Nepal, de Portugal, Malásia, Singapura.



E como é que a Hovione lidou com a crise epidémica? Alguns dos trabalhadores do interior da China não puderam vir para Macau por causa do fecho das fronteiras?



Como as pessoas estavam muito preocupadas e não queriam atravessar as fronteiras, mesmo antes de serem impostas as restrições de entrada, nós arranjámos alojamento em Macau para que os nossos funcionários pudessem ficar aqui. Cerca de 20 pessoas ficaram nos alojamentos que nós demos. Elas estão lá desde o Ano Novo Chinês até agora. Esta crise também afectou a Hovione, mas nós não suspendemos os nossos trabalhos. Houve duas semanas de atraso na entrega dos materiais porque, depois do Ano Novo Chinês, o produtor dos materiais em bruto atrasou a entrega dos materiais em duas semanas, mas, assim que continuaram as operações, recebemos a primeira entrega. Houve algum impacto, mas foi de apenas uma ou duas semanas de atraso.



E houve decréscimo nas receitas?



Acho que não. As receitas têm sido basicamente as mesmas. Nós temos estado a vender bastante bem, não temos parado e temos recebido os materiais de que precisamos.



A Hovione não se viu forçada a recorrer ao ‘lay-off’ para os funcionários?



Não. As nossas operações não pararam. Não houve necessidade de colocar ninguém em ‘lay-off’.







Ler o artigo em Ponto Final Macau online.





 

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O podcast "A Próxima Descoberta" é uma série de seis episódios numa parceria entre o Observador Lab e a Hovione. Como é que uma pequena empresa numa cave em Lisboa se tornou um dos maiores empregadores de doutorados em Portugal e parceira de 19 das 20 maiores farmacêuticas do mundo? Ouça aqui o primeiro episódio do podcast, com Diane Villax, cofundadora da Hovione. [Transcrição] E se algumas das descobertas científicas que podem melhorar a vida de milhões de pessoas estivessem a acontecer neste momento em Portugal? "A próxima descoberta". Seja bem-vindo a "A Próxima Descoberta". É uma série de conversas numa parceria entre o Observador Lab e a Hovione uma multinacional farmacêutica de origem portuguesa, e onde vamos abrir as portas do seu mundo para nos contar histórias reais de ciência, inovação e impacto global. Ao longo de seis episódios, vamos conhecer as pessoas por trás de tecnologias que ajudam a desenvolver e a produzir medicamentos inovadores para as maiores farmacêuticas mundiais e que chegam todos os anos a mais de 80 milhões de doentes. Eu sou o Nelson Ferreira e neste primeiro episódio vamos perceber como é que uma história improvável, que começou numa cave em Lisboa, se transformou numa liderança global. E para falar sobre esse legado, tenho a honra de receber Diane Villax. É cofundadora e administradora não-executiva da Hovione, que aos 91 anos continua a ser uma testemunha viva desta viagem. Nelson Ferreira (NF): Muito bem-vinda, D. Diane Villax. Vamos começar a nossa conversa em 1959. A Hovione nasce de forma improvável numa cave em Lisboa, fundada pelo seu marido, Ivan Villax, pela Diane e mais dois sócios. Como é que se geriu uma vida familiar e ao mesmo tempo o nascimento de uma empresa farmacêutica, tudo no mesmo espaço? 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Como é que foi aplicar este princípio de rigor quando os recursos ainda eram escassos? Até porque desde o primeiro dia, o vosso objetivo sempre me pareceu que era global. O mundo seria o vosso mercado. DV: Desde o início achámos que Portugal, uma população de 10 milhões de habitantes, não seria um mercado muito significativo e que o mundo seria o nosso. Talvez um pouco naïves, porque iríamos entrar num mercado global já bastante sofisticado. Mas a decisão foi tomada e andámos para a frente. Andámos para a frente e tivemos a sorte que rapidamente o Japão nos descobriu. Veio bater à nossa porta, porque obviamente nós não tínhamos meios para ir bater à porta deles, mas eles naquela altura não fabricavam, só formulavam, portanto, precisavam de comprar matérias-primas. O meu marido tinha patentes de invenção de processos independentes e houve grandes conversas. Eles acharam que a nossa tecnologia era boa, o nosso IP era muito robusto e a nossa qualidade excelente. Iniciou-se uma cooperação que durou 10, 15 anos, muito lucrativa para ambas as partes, bem me parece. NF: Nos anos 80 e 90, a Hovine dá uma espécie de salto mais importante. Quais é que foram as decisões, as apostas tecnológicas ou até os momentos de maior coragem que permitiram transformar esta pequena empresa portuguesa numa multinacional de referência? DV: Em 1982, após uma inspeção satisfatória da parte da FDA, entidade reguladora dos Estados Unidos da América, entrámos no mercado americano com o nosso antibiótico doxiciclina genérico. A patente do inventor já tinha caducado e nós tínhamos um processo independente de fabrico. Um mercado enorme, exigente, competitivo, mas que respeita o bom serviço e a qualidade. E foi de facto um grande salto, pois é um mercado tão grande que nós não tínhamos a noção do que iria ser, e a procura foi bem maior do que nós conseguíamos produzir. 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E, por outro lado, estamos cá justamente para dar vida a quem dela precisa. "In it for life". NF: Aos 91 anos, como é que a própria Diane também mantém essa paixão e faz planos a longo prazo? DV: Porque eu fui fundadora desta empresa, vejo-a progredir e a desenvolver com sucesso, portanto, é uma alegria para mim e tenho uma família grande que vem atrás de mim. Tenho seis netos e sete bisnetos e eu espero deixar a empresa para eles continuarem como eu a geri. NF: Isso é muito inspirador. D. Diane Vilax, muito obrigado por nos trazer as memórias e a inspiração deste legado que continua bem vivo. Foi um privilégio. Este foi o primeiro capítulo de "A Próxima Descoberta". Nas próximas semanas, vamos continuar a abrir as portas da Hovione para descobrir como é que o talento português lidera o mundo da química complexa à engenharia de partículas, das terapias respiratórias aos medicamentos biológicos de nova geração. Podem ouvir os próximos episódios em observador.pt e na sua plataforma habitual de podcasts. Até à próxima descoberta.   Ouça este episódio em Observador.pt    

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Todos os anos, a Caixa Geral de Depósitos, considerado o maior banco português, reconhece alguns dos jovens talentos mais promissores de Portugal através dos Prémios Caixa +Mundo, atribuindo cerca de 800 mil euros em bolsas de estudo a estudantes que ingressam no ensino superior. Na edição deste ano, a Caixa decidiu associar o nome de Diane Villax ao prémio destinado a estudantes da área das ciências. Esta prestigiada distinção coloca Diane Villax entre um grupo distinto de personalidades de relevo que, ao longo dos últimos 50 anos, contribuíram de forma marcante para o desenvolvimento socioeconómico, cultural, político e científico de Portugal, como António Ramalho Eanes, Mário Soares, José Saramago, Sophia de Mello Breyner, Leonor Beleza, Elvira Fortunato, Rui Nabeiro, Américo Amorim e José Manuel de Mello. Diane Villax confirmou que terá todo o gosto em reunir-se pessoalmente com os sete estudantes distinguidos nesta área e acompanhar o seu percurso enquanto próxima geração de inovadores e líderes. Mas esta distinção representa muito mais do que uma pessoa. É o reconhecimento de toda uma organização e das pessoas que a constroem todos os dias. Ao longo de 67 anos, sucessivas gerações de equipas trabalharam em conjunto, com paixão, propósito e excelência, para produzir medicamentos que salvam vidas e promover uma ciência com impacto real nas pessoas. Este reconhecimento é de todos nós. Bem hajam.      

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Diane Villax dá nome aos prestigiados prémios Caixa +Mundo

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A gestão de talento foi o tema central no painel “Talento” do The Branding & Business Summit, num debate sobre os desafios das organizações na atração, desenvolvimento e retenção de pessoas num mercado de trabalho em profunda transformação. O painel contou com Carla Marques, CEO da Intelcia, Chitra Stern, Founder & CEO do Martinhal Family Hotels & Resorts, e Ilda Ventura, Senior Vice President da Hovione, e foi moderado por Maria José Martins, diretora criativa de conteúdos do Brands Channel, que enquadrou a discussão na necessidade de alinhar propósito, cultura e competitividade. (...) Talento global e propósito como âncora organizacional Já Ilda Ventura destacou a dimensão global da gestão de talento e os desafios associados à retenção de competências altamente especializadas. A responsável da Hovione referiu que a empresa, com presença internacional e várias décadas de atividade, tem desenvolvido esforços consistentes para atrair e fixar talento em Portugal. “Temos feito um grande esforço para que o talento fique em Portugal”, afirmou, acrescentando que a organização tem implementado programas específicos de atração e desenvolvimento. Ilda Ventura sublinhou ainda o papel da cultura organizacional como elemento de coesão, destacando o lema da empresa — “In it for Life” — como expressão do seu propósito. Esse princípio, explicou, ajuda cada colaborador a compreender o impacto do seu trabalho na melhoria da saúde global. (...) Créditos da imagem: Imagens de marca   Leia o artigo completo em ImagensdeMarca.pt Saiba mais sobre as Carreiras na Hovione  

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