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Comunicado de Imprensa / Maio 27, 2021

Hovione e iBET em colaboração estratégica

A Hovione foi associado fundador do iBET em 1989 e regressa agora como membro associado do iBET - Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica subscrevendo no seu capital

dois operadores caminhar lado a lado num corredor em área de produção com logo da Hovione e do iBET

Loures e Oeiras, 27 de Maio de 2021 – A Hovione foi associado fundador do iBET em 1989 e regressa agora como membro associado do iBET - Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica subscrevendo no seu capital. 

 

No sentido de alargar e aprofundar as suas áreas de investigação e desenvolvimento em novas terapias de elevado potencial, a Hovione decidiu apoiar-se no conhecimento existente nas universidades e na comunidade científica em Portugal. A Hovione é reconhecida mundialmente no desenvolvimento de processo e na produção de medicamentos produzidos por síntese química. Nos últimos 6 anos, foi o parceiro técnico chave em 24 dos 273 medicamentos aprovados pelo FDA Americano (NDAs), uma quota de 8%. 

 

A parceria com o iBET leva a Hovione para novas fronteiras da ciência e da tecnologia. A aceleração do progresso científico que a pandemia da COVID-19 catalisou, abriu oportunidades de importância decisiva no combate à doença. O objetivo desta parceria com o iBET é reunir conhecimento em áreas de ponta e complementares para criar uma forte inovação industrial em campos terapêuticos novos. O desafio não é trivial e irá exigir mais do que a combinação do conhecimento, competências e capacidades do iBET e da Hovione.  

 

“Congratulamo-nos com o retorno da Hovione ao iBET. Procurando sempre reforçar o I&D dos nossos associados, esta importante parceria com a Hovione permitirá conjugar competências científicas complementares e potenciar o desenvolvimento de biofármacos, hoje essenciais para a qualidade em Saúde. Só com uma sólida aposta na área dos biológicos e terapias avançadas e de precisão em Portugal se conseguirão desenvolver novas competências e tecnologias de suporte à produção destes produtos inovadores” disse Paula Alves, CEO do iBET.

 

“A parceria com o iBET abre um novo capítulo na história da Hovione. Vamos reunir o nosso conhecimento da química, de tecnologias de ponta, do mercado e do FDA americano com o conhecimento do iBET em biologia celular, biologia de vírus e em bio-processamento, entre outras áreas. Se o século XX foi o século da química, o século XXI é o da biologia. Os cientistas do iBET têm construído conhecimento profundo e invulgar, vamos agora trabalhar em conjunto no sentido de transformar esse conhecimento em inovação industrial” disse Guy Villax, CEO da Hovione.

 

“Como a Hovione foi associado fundador do iBET, tive o privilégio de conhecer o investigador e empresário invulgar que foi o Engº Ivan Villax, aberto sobre o mundo onde a Hovione actua desde o início da sua atividade. A experiência de colaboração internacional e as competências complementares que a Hovione e o iBET criaram nas duas décadas e meia em que seguiram caminhos paralelos potenciam uma colaboração muito frutífera.” disse Manuel Carrondo, Vice-Presidente, iBET. 

 

Sobre a Hovione: Fundada em 1959, a multinacional Hovione tem hoje laboratórios e fábricas em Portugal, na Irlanda, em Macau e nos Estados Unidos da América. A Hovione investiga e desenvolve novos processos químicos e produz princípios ativos para a indústria farmacêutica mundial. Com sede em Loures, a empresa emprega 2000 pessoas em todo o mundo. A Hovione é o maior empregador privado de doutorados em Portugal e tem presentemente quinze programas de doutoramento e treze de mestrado a decorrer na Empresa. A sua atividade de investigação e desenvolvimento emprega mais de 420 técnicos e cientistas. Para mais informação visite www.hovione.com

 

Sobre o iBET: Fundado em 1989, o iBET - Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica é uma instituição privada sem fins lucrativos que se dedica à Investigação e Desenvolvimento (I&D) em biotecnologia. Vocacionado para criar e organizar conhecimento e gerar valor para a economia estabelecendo pontes entre a academia e a indústria, o iBET é pioneiro em I&D na área dos biológicos em Portugal. Sendo hoje um instituto de referência internacional, o iBET aposta no desenvolvimento de vacinas, proteínas terapêuticas, anticorpos e produtos inovadores para terapias génicas, celulares e medicina regenerativa. Para além do sector da saúde, o iBET tem ainda uma forte posição nas áreas da Nutrição Clínica, Indústria Alimentar. O iBET desenvolve em simultâneo mais de 70 projetos de I&D financiados pela FCT, EC e indústria, assegurados por cerca de 215 investigadores, incluindo mais de 90 doutorados bem como mestres, técnicos e bolseiros. As suas competências são apoiadas por uma rede académica e empresarial dinâmica e multidisciplinar o que, juntamente com a sua estrutura orientada para a obtenção de resultados aplicados, lhe permite transferir o conhecimento que cria para as empresas, ajudando-as a inovar, a criar valor, emprego e crescimento económico. 
Para mais informações: www.ibet.pt

Para mais informações, por favor, contacte: 

 

Hovione and iBET announce strategic collaboration
 

Loures and Oeiras, May 27, 2021 – Hovione was a founding member of iBET in 1989 and has just re-joined the membership of the Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica.

In order to increase the scope and strength of its research and development programs in the areas of novel and high potential pharmaceutical technologies, Hovione has chosen to build on the existing knowledge and expertise of Portuguese academia. Hovione is known worldwide for the process development, manufacture, and formulation of small molecules. Over the past 6 years Hovione was the key technical partner behind 24 of the 273 NDAs FDA approved, an 8% share.

The partnership with IBET will take Hovione to new technology frontiers. The Covid-19 pandemic has catalyzed an acceleration of scientific progress, outlining the power of new treatment modalities to fight diseases. The objective is to combine state of the art knowledge from both partners to create strong industrial innovation in new therapeutic fields. The challenge is not trivial and will require more than the combined know-how, skills and capabilities of iBET and Hovione.

“We are delighted with the return of Hovione to the membership of iBET.  Our goal is to strengthen the R&D capabilities of our members, this important partnership with Hovione will allow to pull together complementary scientific competencies and power the development of biopharmaceuticals that are essential to patient health.  To win in the area of biologics and novel therapies it is critical to have access to state-of-the art competencies and support technologies” said Paula Alves, CEO, iBET.

“The partnership with IBET opens a new chapter in Hovione's history. We will bring together our knowledge in chemistry, in cutting-edge technologies, of the market and of the FDA regulatory process with iBET’s command of cell biology, viral biology and bioprocessing. If the twentieth century was the century of chemistry, the 21st century is the one of biology.  iBET scientists have built deep knowledge in specific areas, we plan to work together to turn that knowledge into industrial innovation” said Guy Villax, CEO of Hovione.

“Hovione was a founding member of iBET and I had the privilege to meet Ivan Villax, a remarkable scientist and entrepreneur open to the world stage where Hovione plays a key role since its foundation. The experience in international collaborations and the complementary competencies that Hovione an iBET have built over the past 25 years in a parallel fashion will now combine in what I expect to be a fruitful collaboration” said Manuel Carrondo, Vice-President, iBET. 

 

About Hovione: Founded in 1959, the multinational Hovione has today laboratories and plants in Portugal, Ireland, Macau and the United States of America. Hovione researches and develops new chemical processes and produces active ingredients for the global pharmaceutical industry. Headquartered in Loures, the company employs 2000 people worldwide. Its research and development activity employs more than 420 technicians and scientists. For more information www.hovione.com

 

About iBET: Founded in 1989 as a Research and Development (R&D) institution dedicated to establishing bridges between academia and industry, the Institute of Experimental and Technological Biology (iBET) is today the largest Portuguese private non-profit institution, dedicated biotechnology research, an area in which he was a pioneer. A global reference in the application of biotechnology and bioengineering to health, iBET invests in the development of vaccines, antibodies, recombinant proteins, stem cells, gene therapy and other innovative therapeutic products. In addition to the health sector, iBET also has a strong position in the areas of Clinical Nutrition, Food Industry and the Agroforestry sector. IBET simultaneously develops more than 70 R&D projects, carried out by approximately 215 researchers, including doctorates, engineers, technicians and scholarship holders. Its competencies are supported by a dynamic and multidisciplinary academic and business network, which, together with its structure geared to obtaining applied results, allows it to transfer the knowledge it creates to companies, helping them to innovate, create value, employment, and economic growth. For more information: www.ibet.pt

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ZUG, SUÍÇA, 8 de setembro de 2026 — A Hovione Holding AG anunciou hoje a nomeação de Stefan Doboczky como Chief Executive Officer (CEO), com efeitos a partir de 1 de abril de 2027. Stefan Doboczky é Presidente do Conselho de Administração da Hovione Holding AG desde 2024, tendo desempenhado um papel fundamental na definição da estratégia e da visão da empresa. Deixará a presidência do Conselho de Administração quando assumir as funções de CEO. Fundada em 1959, a Hovione é um grupo familiar de tecnologia e serviços farmacêuticos que serve a indústria à escala global, com mais de 2.600 colaboradores, quatro unidades de produção e I&D inspecionadas pela FDA-Food and Drug Administration na Europa, nos Estados Unidos e na China, e é reconhecida internacionalmente pela sua liderança tecnológica nas áreas de secagem por atomização (spray drying) e produção contínua de comprimidos (continuous tableting). Esta nomeação marca o regresso de Stefan Doboczky à indústria farmacêutica, após mais de 17 anos na Royal DSM, onde chegou a membro da Comissão Executiva, com responsabilidade pelo portefólio farmacêutico global do grupo e pelo seu crescimento na Ásia. Posteriormente, exerceu durante 11 anos funções de CEO em empresas industriais cotadas, detidas por fundos de capital privado e integradas em grupos empresariais, incluindo a Lenzing AG, a Heubach GmbH e a Borealis AG. Após a integração da Borealis, da Borouge e da NOVA Chemicals na Borouge International, assumiu as funções de Chief Commercial Officer e Vice-Presidente da Comissão Executiva do grupo resultante da fusão. Passará estas responsabilidades ao seu sucessor a 1 de outubro de 2026 e permanecerá disponível durante seis meses para apoiar a transição. Stefan Doboczky possui um mestrado em Química Técnica e um doutoramento em Ciências Naturais, ambos pela Universidade Tecnológica de Viena (TU Wien), na Áustria, e também um MBA pelo IMD, em Lausanne, na Suíça. Esta nomeação resulta de um processo de sucessão abrangente conduzido pelo Conselho de Administração e representa um passo importante na evolução da Hovione. Reflete a ambição da empresa de continuar a reforçar a sua posição internacional como fornecedor de referência de tecnologia e serviços para empresas farmacêuticas em todo o mundo. Guy Villax, Administrador Não Executivo e Presidente do Conselho de Família, em representação do principal acionista da empresa, afirmou: “Estamos muito satisfeitos por o Stefan assumir a liderança executiva da Hovione. Enquanto Presidente do Conselho de Administração, adquiriu um conhecimento profundo da empresa, da sua cultura e das suas pessoas, e contribuiu para definir a nossa orientação estratégica e as nossas prioridades. A sua experiência internacional, as suas competências comerciais e a sua comprovada capacidade para transformar empresas de forma sustentável colocam-no numa posição privilegiada para liderar a Hovione na sua próxima fase de crescimento. A sua disponibilidade para passar do Conselho de Administração para a liderança executiva é um forte sinal da sua confiança nesta empresa e nas oportunidades que tem pela frente. Stefan Doboczky, CEO designado da HOVIONE, afirmou: “É uma honra assumir o cargo de CEO da Hovione e passar da presidência do Conselho de Administração para a liderança executiva da empresa. Ao longo destes dois anos como Presidente, pude conhecer o extraordinário potencial desta organização, assente numa base tecnológica muito sólida, em pessoas talentosas e num forte compromisso com os doentes. Regressar à indústria farmacêutica, onde desenvolvi uma parte fundamental da minha carreira, e fazê-lo como CEO de uma empresa familiar com uma visão de tão longo prazo é uma oportunidade única. Agradeço ao Conselho de Administração e aos acionistas a confiança depositada em mim. Estou entusiasmado com a perspetiva de trabalhar em estreita colaboração com a equipa de liderança global da Hovione e com o Conselho de Administração para reforçar a nossa presença internacional, impulsionar a inovação e criar valor sustentável para os nossos clientes, parceiros e acionistas.” O Conselho de Administração expressa também o seu reconhecimento a Marco Gil e António Almeida pela liderança que têm assegurado durante este período como co-CEOs interinos e por garantirem a continuidade da execução bem-sucedida da estratégia da empresa até Stefan assumir funções como CEO.      

Artigo de Imprensa

Hovione nomeia Stefan Doboczky como Chief Executive Officer

Set 08, 2026

O podcast "A Próxima Descoberta" é uma série de seis episódios numa parceria entre o Observador Lab e a Hovione. Dos hospitais às casas dos doentes, conheça as soluções que permitem administrar biológicos de alta dosagem com mais conforto, menos dor e maior liberdade no tratamento. E se algumas das descobertas científicas que podem melhorar a vida de milhões de pessoas estivessem a acontecer neste momento em Portugal? "A próxima descoberta". Ouça aqui o sexto e último episódio do podcast, com João Pires e Joana Cristovão, do Centro de Investigação e Desenvolvimento da Hovione.   [Transcrição] Nelson Ferreira (NF): Seja bem-vindo ao sexto e último episódio de "A próxima descoberta", uma série de podcasts em que a Hovione abre as portas do seu mundo para partilhar conosco o impacto global da inovação desenvolvida a partir do nosso país. Eu sou o Nelson Ferreira e ao longo desta viagem falamos de processos químicos, de partículas ultrafinas e de linhas de produção revolucionárias. Hoje olhamos diretamente para o futuro da medicina. Depois de explorarmos o mundo das pequenas moléculas, entramos agora numa nova dimensão terapêutica, a dos medicamentos biológicos, baseados em moléculas maiores e mais complexas, que estão a abrir novas possibilidades de tratamento de várias doenças. E para nos explicar como esta área está a evoluir e como a ciência pode tornar estes tratamentos mais eficazes, estáveis e acessíveis para os doentes, recebo o João Pires e a Joana Cristóvão, do Centro de Investigação e Desenvolvimento da Hovione.  NF: Muito bem-vindos a ambos. João, começaria por si. Para quem nunca ouviu falar deste termo, o que são afinal os medicamentos biológicos e o que os distingue dos medicamentos de pequenas moléculas, que são mais associados à química tradicional? João Pires (JP): Sim. Se pensarmos um bocadinho naquilo que podemos encontrar hoje em dia nas farmácias, é de facto verdade que a maioria desses medicamentos são compostos por essas pequenas moléculas, estruturas mais simples, ainda que eficazes, mas que nós conseguimos desenhar e fabricar pela química chamada clássica e que desenvolveu esse conhecimento ao longo dos últimos 150 e 200 anos. Relativamente aos biológicos, são completamente diferentes. São organismos que não só pela sua complexidade, como muito maior dimensão e estrutura, são, principalmente na sua origem, bastante diferentes, porque são produzidos de organismos vivos, por exemplo, as células, que dadas certas condições ideais, podem funcionar como fábricas de biológicos e que nos permitem, tal e qual como no nosso corpo, extrair as substâncias desejadas, que podem ter uma influência terapêutica relevante para certas indicações. Beneficiam, por isso, de milhões de anos de evolução, que a química clássica não tem conseguido. NF: É a biologia que fez essa evolução. JP: É a biologia. Portanto, é a beleza também da- NF: A natureza que fez esse processo todo, esse processo por nós.  NF: Joana, por serem criados a partir de organismos vivos, podemos dizer que estes medicamentos são, entre aspas, mais inteligentes, que têm um potencial terapêutico maior? Joana Cristovão (JC): Podemos dizer que efetivamente, em alguns dos casos, têm um elevado potencial terapêutico. A vantagem destas moléculas é que são moléculas com uma capacidade de especificidade bastante elevada. Ou seja, podemos ver como se fosse uma chave para uma fechadura. Tem de ser a chave certa para a fechadura. Efetivamente, os biológicos, falando a mesma língua biológica dentro do nosso corpo, conseguem ter esta vantagem, estão a falar a mesma língua. Mas não significa que são melhores do que as pequenas moléculas. Significa que, efetivamente, sendo produzidas por micro-organismos vivos, são bastante complexas e seria muito difícil, e em alguns casos impossível, de serem produzidas pela clássica síntese química, mas têm aqui uma grande vantagem de serem bastante específicos. Exemplos de biológicos são proteínas que têm a função de comunicar dentro do nosso corpo, anticorpos monoclonais que têm a função de identificar um alvo específico e estas funções efetivamente são mais relevantes nos biológicos do que nas pequenas moléculas. NF: João, esta é uma área, pelo que percebo, um pouco emergente ainda em todo o mundo. Como é que a Hovione, sendo uma empresa historicamente ligada à síntese química e engenharia de partículas de pequenas moléculas, chegou até aqui e decidiu também abraçar este desafio dos biológicos? JP: Sinceramente, tem sido uma transição muito natural. Acho que primeiro porque ao longo dos anos a Hovione desenvolveu um conjunto de especialidade, conhecimento científico muito específico em áreas também elas muito específicas de química, engenharia de partícula e formulação. E quando olhamos para os biológicos, apesar da sua maior complexidade, o problema acaba por ser mais ou menos o mesmo. Continua a precisar de materiais, processos e controles que os permitam chegar de uma forma estável e robusta aos pacientes. NF: Mas há potencial? JP: Claro que sim. Não só há potencial como há desafios. E isso vem, se calhar, o segundo ponto, que é a curiosidade. Acho que desde a história da Hovione e desde o fundador, essa curiosidade e esse desejo de abraçar desafios cada vez mais complexos, é um pouco parte da gênese, principalmente no nosso centro de inovação e desenvolvimento, e por isso é também um fator muito aliciante para quem trabalha na Hovione, poder estar a par desta transição. NF: E não está assim tão longe da sua história também. JP: Não. NF: Por isso que explicava.  NF: Joana, em que áreas terapêuticas é que estes medicamentos biológicos já tiveram um impacto mais significativo? Há doenças que vieram mudar claramente a forma como os doentes são tratados? JC: Há áreas- NF: Isto já não é ficção científica, já existe na prática. JC: Exatamente. E já existe há muito tempo em algumas áreas. Por exemplo, na oncologia existem anticorpos que são utilizados também para matar as células cancerígenas. Com especificidade. Ou seja, em vez de matarmos as células de uma maneira geral, direcionamos esta morte ao mecanismo de ação da doença. NF: Reduz efeitos secundários, imagino. JC: E que também reduz efeitos secundários. E numa vertente também diferente, o cancro é uma doença bastante esperta e evolui muito rapidamente, porque se esconde das nossas defesas e do nosso sistema imunitário. Então também existem tratamentos baseados em biológicos, cujo objetivo também é ajudar as nossas defesas a fazerem o trabalho delas, a retirar este véu invisível que alguns tumores têm, que os faz progredir muito rapidamente e a ajudar as nossas defesas a atacar. Outro exemplo, e é um exemplo clássico que já foi resolvido há 40 anos, é o exemplo da diabetes. A insulina é o tratamento mais comum utilizado para a diabetes e aqui, antes da biotecnologia, a insulina era isolada de animais e consequentemente, a sua produção era bastante limitada. Com a possibilidade de utilizar a biotecnologia para produzir os biológicos, conseguimos produzir insulina humana, a chamada insulina recombinante, porque efetivamente utilizamos micro-organismos vivos para os produzir. E esta mudança fez com que este tratamento ficasse disponível para mais pessoas e que se salvassem milhares de vidas. NF: Dois exemplos claros onde estes biológicos já estão, entre aspas, a atacar. João, hoje já estão, de facto, no mercado, mas imagino que a transposição e estabilização em laboratório trazem grandes desafios técnicos. Que desafios é que foram estes no caso dos biológicos? JP: Sendo moléculas muito complexas e, como a Joana descreveu, até de alguma forma elegantes, são também igualmente sensíveis, quase como uma flor de estufa. E portanto, a evolução biológica, como falámos há pouco, tratou de as otimizar para sobreviverem e estarem em condições muito específicas, condições essas que muitas vezes não são as que nós temos nos nossos processos industriais, de transporte ou até da administração do fármaco. E portanto, estas moléculas são tipicamente muito sensíveis ao calor, ao ar, à pressão e até só o simples fato de elas estarem muito tempo juntas, acabam por começar a interagir entre si, perder a sua estrutura e também, infelizmente, o seu efeito terapêutico. E é um bocadinho aí que nós entramos, ou seja, os clientes tipicamente vêm ter connosco com algo com potencial terapêutico muito grande, mas apenas muitas vezes só uma prova de conceito. E nós pegamos, digamos assim, nesses primeiros testes laboratoriais experimentais para tentar criar aqui controles, processos, até formulação, que permita levar isto aos milhares, milhões de unidades, sempre com obviamente bastante cuidado para um controle de qualidade e estabilidade imaculados para os fármacos. NF: Joana, mas afinal, como é que são administrados estes medicamentos? São diferentes dos outros? Tradicionalmente, muitos exigem uma ida ao hospital para uma administração intravenosa mais demorada. É assim que funcionam com os biológicos? JC: Exatamente. Tradicionalmente, estes biológicos são administrados diretamente na veia por perfusão, muito semelhante quando nós levamos soro. Mas a indústria farmacêutica quer se focar também não unicamente em resolver os problemas e doenças, mas também tem um foco grande no doente. Esta administração envolve uma ida ao hospital, algum tempo para ser administrado e em doenças crônicas, isto repete-se ao longo da vida. E a ambição da indústria farmacêutica também é arranjar tratamentos alternativos que sejam mais confortáveis ao doente e que se crie mais autonomia para o doente. NF: Para que ele não precise, se calhar, de ir ao hospital? JC: Exatamente. O objetivo final seria então termos soluções mais injetáveis com uma ambição do próprio doente conseguir administrar sozinho. Para isso, então é preciso haver inovação na parte de tecnologia, de desenvolvimento de formulações e de dispositivos que permitam que o doente o consiga fazer. NF: João, é aqui que entra o vosso conceito de formulações de alta concentração. O que é isto na prática? E de facto, um dia já não precisaremos de um enfermeiro para uma injeção. Haverá um dispositivo para o fazermos nós próprios. JP: Sim, esperemos que sim. O conceito de formulações de alta concentração é relativamente simples. Significa colocar o máximo de medicamento no volume o mínimo possível, mínimo o suficiente que possa, por exemplo, caber num bolso, estilo um auto injetor, que hoje em dia creio que as pessoas- NF: Uma caneta. JP: Uma caneta. Creio que as pessoas, até pela nova geração de alguns medicamentos, especialmente para obesidade, etc, tornou-se relativamente popular e bastante mais familiar, apesar de ser utilizado em outras aplicações. Isto tecnicamente parece simples, colocar mais de uma coisa, menos de outra, mas obviamente, como sabemos, estas moléculas, e já falámos aqui, são bastante sensíveis e à medida que vão sendo mais concentradas, ou seja, estão mais apertadas entre si Problemas começam a surgir. Para além da estabilidade e como já falámos um bocadinho da sua alteração de estrutura, há essencialmente um problema de viscosidade. Eu acho que isto é fácil de visualizar, qualquer coisa mais concentrada tende a ser mais viscosa. NF: Mais difícil de injetar. JP: Mais difícil de injetar, o que leva à questão da dor e, portanto, mais viscosidade tipicamente leva a uma maior dor da administração. Isso viola diretamente o conceito de desenvolvermos formulações e medicamentos mais convenientes e mais user friendly. E é esse o problema que a indústria neste momento tem em mãos, arranjar soluções que consigam quebrar as barreiras da dose e baixar os volumes sem comprometer a eficácia terapêutica, mas também a conveniência e a aceitabilidade destas novas soluções de alta concentração. NF: Joana, só para terminarmos, o que sentem os cientistas quando olham para o futuro e veem também este trabalho diário da Hovione a aproximar a medicina de soluções que são cada vez mais personalizadas, mais convenientes, mais centradas na vida dos doentes, mais confortáveis para eles? Imagino que orgulhosos por esse desenvolvimento também. JC: Acho que é uma grande responsabilidade e acho que daí também vem uma grande motivação. A medicina está cada vez a tornar-se mais personalizada, mais focada nos mecanismos que levam à doença e não só focada no tratamento de sintomas, mas em ser mais dirigida àquilo que faz com que haja doença. E acho que é um grande orgulho estar em equipas que fazem parte desta jornada, que nos levam a um futuro melhor e focado no doente. NF: João, o futuro é biológico ou não só, mas também? JP: Não só, mas também. Mas claramente acho que os biológicos nos permitem novos sonhos, novas ambições, especialmente em melhores medicamentos, mais personalizados e mais eficazes e, portanto, abre todo um conjunto de possibilidades que até hoje se calhar não era possível de imaginar. NF: João Pires e Joana Cristóvão, muito obrigado por nos abrirem as portas do futuro da medicina. É com este olhar sobre o amanhã que termina a primeira temporada do podcast "A Próxima Descoberta". Ao longo destes seis episódios, viajamos desde uma cave em Lisboa em 1959, até à liderança tecnológica mundial, que todos os anos toca a vida a mais de 80 milhões de pessoas. Ficou provado que com curiosidade, rigor e talento, as próximas grandes descobertas da ciência mundial podem mesmo ter a assinatura do nosso país. Para ouvir todos os episódios desta série, pode fazê-lo em Observador.pt e nas plataformas de podcast. Eu sou o Nelson Ferreira, foi um gosto acompanhar-vos nesta viagem. Até à próxima descoberta.    

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Podcast “A Próxima Descoberta” (EP6) - Biológicos de alta dosagem: da ficção à realidade

Jul 23, 2026