Comunicados à Imprensa - 21.02.2001

Discurso de Sua Excelência o Primeiro Ministro, Eng.º António Guterres, na Hovione

A razão de ser desta visita é muito simples:

Foi recentemente assumido em conjunto, quer pelo Governo quer por todos os parceiros sociais, patronais e sindicais, que iríamos trabalhar e trabalhar com metas, com objectivos, com normas bem definidas, no sentido de melhorar muito significativamente em Portugal quer a higiene, a segurança no trabalho e o combate à sinistralidade, quer a formação e qualificação das pessoas ao serviço do emprego e da criação de riqueza.

É importante dizer que ao assumirmos, ao vermos assumido e assinado um acordo em relação à higiene e segurança no trabalho, nós temos consciência que infelizmente o nosso país tem graves lacunas neste domínio e tem mesmo, em certos sectores, índices de sinistralidade que são intoleráveis no ponto de vista político e no ponto de vista moral, em relação às pessoas que trabalham ou vivem em Portugal.

E poderia pensar-se que estes objectivos eram objectivos quiméricos e a melhor maneira de demonstrar que o não são é vir visitar uma empresa que desde há muito, pela sua própria iniciativa e pela sua própria estratégia é um centro de excelência que o país deve conhecer não apenas, mas também, nas matérias mencionadas na segurança, uma vez que esta é a melhor maneira de provar àqueles que não têm esta preocupação suficientemente em conta, que o podem fazer, que o devem fazer e que, ao fazê-lo, não aumentam necessariamente os seus custos, pelo contrário, podem, como agora foi referido, ter inclusivamente custos de produção mais baixos.

É evidente que a segurança é uma preocupação que não é apenas das empresas. Tem que o Estado, no seu papel regulador e fiscalizador - há que reconhecer que não termos feito o suficiente nessa matéria é naturalmente uma preocupação das empresas - mas é também uma atitude de responsabilidade de quem trabalha no sentido de garantir um comportamento adequado à defesa da sua própria segurança e da segurança dos outros.

E pareceu-nos muito importante que o país conhecesse a Hovione porque aquilo que aqui se faz nesta matéria é absolutamente exemplar e pode e deve ser, com as adaptações naturais decorrentes das diversas formas de actividade que existem na vida económica, pode e deve ser copiado em todo o país, demonstrando os objectivos que a nós próprios nos atribuímos, à escala nacional, são perfeitamente alcançáveis. 

Aliás, não posso deixar de referir um outro aspecto que aqui foi indicado. Consagrámos nos acordos de concertação social o direito à formação, o objectivo desse direito é independentemente de outros aspectos, o de assegurar para todos os trabalhadores portugueses em 2006, 35 horas ano/formação. A Hovione faz já 70 horas ano/formação. Também é revelador que a formação não é algo que se impõe, como digamos assim um luxo, como uma preocupação decorrente de um qualquer capricho de natureza política. Numa empresa de excelência, numa empresa que assegura elevados níveis tecnológicos e de capacidade de afirmação de mercados, afirmação é uma componente essencial para o seu próprio êxito para além de ser, neste mundo em tão rápida mutação, algo de fundamental para dar às pessoas a capacidade de responder às oportunidades que cada dia se renovam dada a evolução tecnológica vertiginosa a que assistimos.

Mas seria injusto se não aproveitasse também esta ocasião para manifestar em nome do Governo, o nosso muito apreço por aquilo que a Hovione representa em Portugal, e não é apenas nos mínimos de segurança e da formação. É porque é um caso absolutamente exemplar na capacidade tecnológica de inovação e na demonstração que, quando queremos, quando verdadeiramente fazemos tudo quanto é necessário para isso com enorme determinação, temos todas as condições para fazer em Portugal o melhor que se faz em toda a parte do mundo. Agora, não é possível fazer isso sem um enorme investimento, sem uma enorme dedicação, sem um enorme empenhamento, sem uma enorme competência.

Eu sei que há algumas décadas o Sr. Engº Ivan Villax começou com um pequeno laboratório numa cave. Desde esse pequeno laboratório numa cave até ao que temos hoje aqui, há muitas décadas de trabalho, de competência, de inteligência posta ao serviço de uma paixão que assegura a construção desta empresa. Acho que este exemplo, é um exemplo que deve de ser seguido porque demonstra que é perfeitamente possível, em Portugal, termos do melhor que há no mundo e termos coisas de que nos podemos orgulhar em todos os aspectos. Desde as questões relacionadas com a capacidade tecnológica, a inovação, a optimização da gestão até aos outros aspectos igualmente importantes na segurança na formação da consciência social e do sentido de pertença a uma comunidade. Muitas empresas tendem em funcionar isoladas sem reconhecerem a importância da sua inserção na comunidade.

Penso que é também exemplar o facto desta empresa ter compreendido que ela própria só tem a ganhar, e seguramente enriquece a comunidade em que se insere ao manter com essa comunidade uma relação de diálogo e de contacto permanente. Por isso, a todos muitíssimo obrigado por esta oportunidade que, mais que propriamente para mim, que conheço a tradição a excelência que representa este exemplo, é um pouco para que o país possa ganhar auto estima e compreender que os objectivos que por si próprio traçou são perfeitamente alcançáveis desde que haja vontade e capacidade para isso.

Muito obrigado.

 

Para mais informações sobre a Hovione, por favor visite www.hovione.pt , www.hovione.com  ou contacte a Área de Comunicação (Isabel Pina, tel. 21 982 9362, email: ).

 

 
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