Comunicados à Imprensa - 23.11.2001

Estratégias Empresariais para a Bio-Economia

Painel
"Estratégias Empresariais para a Bio-Economia"
INETI - 23.11.01 - 16:30
Ivan Villax 


O emprego de agentes biológicos é muito antigo e a sua importância é cada vez maior. O pão, o vinho e o vinagre são o resultado de processos fermentativos, e são conhecidos há milhares de anos.

No século passado houve uma evolução importante a seguir à produção de vacinas com o aparecimento da produção fermentativa de antibióticos. A realização da produção do primeiro antibiótico – penicilina – teve um grande impulso pela introdução da fermentação submergida aeróbica, inventada e patenteada por um português, o Prof. Maia Loureiro, que a utilizou para a preparação de vacinas. Durante a 2ª Guerra deslocou-se a Inglaterra, a pedido de Fleming e Florey, para introduzir esta sua técnica no fabrico da penicilina. É lamentável que este facto seja quase desconhecido em Portugal.

Também se empregam microrganismos na transformação de moléculas complexas, como por exemplo a introdução de duplas ligações ou ainda de grupos activos de maneira selectiva e estereo-específica. Muitas vezes, estas transformações por via química são muito onerosas ou quase impossíveis, como por exemplo a 11-hidroxilação da molécula de corticoesteróides ou a introdução de dupla ligação em 1,2 nestas moléculas.

A incorporação de plasmidas específicas nas bactérias ou ainda outros meios de bio-engenharia permitem a produção de moléculas de grande complexidade por via fermentativa. Todavia, esta produção fermentativa, apesar de parecer simples e pouco onerosa, representa também problemas consideráveis não só em manter absolutamente estéreis fermentadores de grande volume (às vezes com mais de 100 m3), mas também por causa da instabilidade da capacidade produtiva do microorganismo devido à sua mutação.

Apesar de a preparação de uma estirpe se iniciar por selecção de colónias monoclonais, que são multiplicadas por fermentação, a capacidade produtiva dos antibióticos fica rapidamente reduzida devido à mutação e, assim, as estirpes industriais devem manter-se regularmente por selecção repetida. Naturalmente, do ponto de vista industrial, é muito importante produzir a maior quantidade por litro do meio de fermentação. Enquanto que há 40 anos 10-12 g/lt. de tetraciclina era um valor satisfatório, hoje em dia alcançam-se facilmente valores superiores a 30 g/lt.

Resumindo, achamos, por experiência própria, que é preferível a síntese química, desde que rentável. Todavia, a produção de muitas e cada vez mais moléculas só é rentável por via fermentativa. Naturalmente, hoje em dia somos ainda incapazes de fermentar qualquer molécula desejada e é uso frequente transformar quimicamente moléculas activas obtidas por fermentação por meios químicos em derivados muito mais activos, menos tóxicos e com características clínicas mais favoráveis.

É evidente que, entre os fármacos novos, cada vez irão ter maior importância aqueles obtidos por via biológica, o que é amplamente demonstrado pelo facto de que dos dez fármacos de maior venda, hoje cinco são bio-fármacos.

Com 500 profissionais, dos quais mais de uma centena na unidade fabril de Macau, é com satisfação que o grupo Hovione celebra 40 anos de crescimento económico.

Para mais informações sobre a Hovione, por favor visite www.hovione.pt , www.hovione.com  ou contacte a Área de Comunicação (Isabel Pina, tel. 21 982 9362, email: ).

 

 
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